Divulgação
Divulgação

Buena onda em Buenos Aires

Uma nova geração de restaurantes, bares e padarias que apostam na autenticidade, produtos locais e bom serviço está surgindo na capital argentina. O Paladar foi conhecer de perto esse movimento císmico-gastronômico portenho

Rafael Tonon, Especial para o Estado / BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

14 de novembro de 2013 | 02h21

Uma mudança gastronômica está em curso na capital argentina. É um movimento que já está sendo apelidado de buena onda. Graças a uma nova geração de chefs e empresários, a cidade tem visto surgir restaurantes, bares, padarias e docerias mais autênticos, que se utilizam mais dos produtos do próprio quintal que dos ingredientes importados que por muito tempo predominaram na mesa portenha.

Nos últimos anos, a cena argentina vem ganhando vida. Surgiram estabelecimentos mais casuais, com melhor nível de serviço (esse era um tradicional ponto falho na cidade) e ênfase no aprimoramento técnico de cozinheiros.

Nas bases desse movimento, a valorização de ingredientes locais vem ganhando espaço, seguindo a onda iniciada sem alarde por casas como El Baqueano, pioneiro em servir menu degustação à base de carnes autóctones, harmonizado com vinhos argentinos, num lugar despretensioso.

Tudo isso possibilitou o surgimento, no ano passado, da primeira associação de classe local, chamada Acelga (abreviação de Associação de Cozinheiros e Empresários Ligados à Gastronomia Argentina).

Para completar a cena, a capital argentina se destacou no ranking 50 Melhores Restaurantes da América Latina, promovido pela revista inglesa Restaurant e divulgado em setembro em Lima, no Peru. A Argentina foi o país que emplacou mais restaurantes na lista - são 15, ao todo - superando o Brasil e o Peru, nações com reputação de serem mais gastronômicas (leia nesta página).

"Pela primeira vez na história, começamos a olhar para dentro", diz o chef German Martitegui, proprietário de duas casas na capital, Olsen e Tegui - eleito o melhor restaurante argentino (e classificado em nono lugar na lista dos 50 Melhores da América Latina).

"Este nosso bom momento na gastronomia veio dessa unificação, de um esforço conjunto", avalia o mixologista Julian Díaz, proprietário do bar de coquetéis speakeasy 878 e da recém-inaugurada Florería Atlántico, também membro da Acelga. "A Argentina não é um país com uma identidade gastronômica muito forte. Mas agora acordamos e queremos mostrar o valor da nossa comida", completa Martitegui.

Buenos Aires evoluiu bastante recentemente, mas não dá para negar que nossos vizinhos portenhos sempre gostaram de comer. E beber. A cidade é repleta de restaurantes apinhados e cafés frequentados por gente capaz de desprender horas de seus dias sentada à mesa. Os argentinos não abandonam a mesa mesmo em tempos da crise econômica que toma o país, com inflação galopante, medidas protecionistas e controle de dólares, como estão enfrentando agora.

O Paladar foi até Buenos Aires visitar os novos endereços que valem a pena. Dentro ou fora do ranking, eis lugares que merecem a visita.

Tudo o que sabemos sobre:
buenos airesgastronomia

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.