Bulgária culpa Hezbollah por atentado contra ônibus em 2012

A Bulgária afirmou nesta terça-feira ter provas de que o grupo libanês Hezbollah cometeu o atentado que matou cinco turistas israelenses dentro de um ônibus no ano passado no balneário de Burgas.

Reuters

05 Fevereiro 2013 | 17h33

As conclusões da investigação búlgara, citando uma clara conexão com um ataque dentro da União Europeia, pode levar o bloco europeu a qualificar o Hezbollah como uma organização terrorista, a exemplo do que já fazem os Estados Unidos.

Três pessoas se envolveram no ataque, sendo duas delas portadoras de passaportes genuínos da Austrália e Canadá, segundo relato feito a jornalistas pelo ministro búlgaro do Interior, Tsvetan Tsvetanov, depois de a investigação ser discutida pelo conselho nacional de segurança.

"Há dados mostrando o financiamento e a conexão do Hezbollah com os dois suspeitos", disse Tsvetanov.

Israel já havia atribuído o atentado de Burgas, que matou também o motorista búlgaro do ônibus e um homem-bomba, ao Irã e ao Hezbollah, uma milícia xiita que tem apoio iraniano, participa do governo libanês e travou em 2006 uma rápida guerra contra Israel.

O Irã negou envolvimento e acusou o arqui-inimigo Israel de tramar e realizar o atentado de julho de 2012. O Hezbollah não se manifestou de imediato sobre as declarações do ministro búlgaro.

Em nota, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse que o atentado de Burgas foi parte de uma "campanha terrorista global" que inclui também ataques a civis em lugares tão díspares quanto Tailândia, Quênia e Geórgia.

"O ataque em Burgas foi um ataque em solo europeu contra um membro da União Europeia. Esperamos que os europeus cheguem às conclusões necessárias sobre o verdadeiro caráter do Hezbollah", acrescentou.

Um porta-voz da chefe de política externa da UE, Catherine Ashton, disse que a investigação búlgara será avaliada pela direção do bloco e por seus países. A Holanda já considera o Hezbollah como um grupo terrorista e em agosto pediu à UE que assuma a mesma posição, o que levaria ao congelamento de bens do Hezbollah na Europa.

A Bulgária, que pertence à UE e à Otan, havia dito anteriormente que o atentado fora tramado no exterior e realizado por estrangeiros. Mesmo assim, o incidente gerou tensões num país onde os muçulmanos compõem cerca de 15 por cento dos 7,3 milhões de habitantes.

Os três envolvidos no ataque tinham carteiras de motoristas norte-americanas falsificadas, impressas no Líbano, segundo Tsvetanov. Os dois suspeitos com passaportes canadense e australiano viviam no Líbano -um deles desde 2006, o outro desde 2010.

Ninguém foi preso por envolvimento no ataque e Tsvetanov disse esperar que Austrália, Canadá e Líbano cooperem com o restante da investigação.

(Por Tsvetelia Tsolova, com reportagem adicional de Angel Krasimirov, em Sofia; de Ari Rabinovitch, em Jerusalém; de Justyna Pawlak, em Bruxelas; e de Dominic Evans, em Beirute)

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