Búlgaros celebram libertação de equipe médica

Enfermeiras e médico eram acusados pela Líbia de infectar crianças com HIV.

Virginia Savova, BBC

24 de julho de 2007 | 19h20

Este é o dia pelo qual a Bulgária esperava por mais de oito anos - o dia em que as cinco enfermeiras búlgaras e o médico palestino (que ganhou nacionalidade búlgara no mês passado) sentenciados à morte na Líbia finalmente voltaram ao país."Bem-vindos ao lar" e "Livres" diziam as frases nas telas de um canal de televisão búlgaro que transmitiu ao vivo a chegada da equipe médica que estava presa na Líbia.Depois de 2.755 dias na prisão, Valia Cherveniasjhka, Snezhana Dimitrova, Nasya Nenova, Valentina Siropoulo, Kristina Valcheva e o médico Ashraf Alhajouj foram libertados."Os médicos estão de volta à Bulgária", anunciavam as estações de rádio."Dois grandes eventos marcaram a Bulgária este ano - a entrada do país na União Européia e o retorno dos médicos", disse a televisão estatal da Bulgária."Esta é a notícia feliz que queríamos ouvir", disse um âncora de telejornal no canal privado Nova TV.Antes da madrugada os familiares dos ex-prisioneiros se reuniram no aeroporto da capital búlgara, Sófia."Não acredito no que está acontecendo", disse um sorridente Marian Georgiev, filho do médico Zdravko Georgiev, que é marido e foi réu junto com Kristina Valcheva.As famílias foram as primeiras a encontrar os ex-prisioneiros segundos depois que eles saíram do avião do governo da França que trouxe os seis para Sófia.Autoridades do governo da Bulgária aplaudiram muito a comissária para assuntos externos da União Européia, Benita Ferrero-Waldner e Cecília Sarkozy, mulher do presidente francês Nicolas Sarkozy, que acompanharam a equipe na viagem de volta para casa."Estou feliz, vivi o bastante para voltar", afirmou a enfermeira Nenova. "Fomos acordados por volta das 4h e às 5h45 estávamos atravessando os portões da prisão de Djudeida. Então entramos no avião. Não olhei pela janela. Sei que estou livre, mas ainda não consigo acreditar", disse Valcheva.Falando em búlgaro, o médico palestino que ganhou a cidadania búlgara há um mês, Ashraf Alhajouj, agradeceu: "Muito obrigada, muito obrigada a todos vocês".Durante o tempo na prisão os seis receberam apoio inabalável do povo da Bulgária.Os pedidos pela libertação da equipe aumentaram em 2006, quando um jornal do país, um canal de televisão e uma estação de rádio lançaram uma campanha nacional sob o slogan: "Vocês não estão sozinhos".Um enorme cartaz com a mensagem "Estamos esperando por vocês" foi colocado por ativistas no aeroporto de Sófia há alguns dias.Na manhã ensolarada de julho multidões se reuniram do lado de fora do aeroporto e acenaram para os ex-prisioneiros."Vive La France, que nos ajudou a libertá-los", escreveu um internauta na página de notícias na internet mediapool.bg."A libertação das enfermeiras e do médico é um exemplo da força da União Européia", disse o jornalista búlgaro Velislava Dureva em uma entrevista de rádio.Inicialmente os seis vão ficar com suas famílias na Casa Boyana, o maior complexo hoteleiro governamental no país.Eles também serão submetidos a exames médicos e terão ajuda psicológica.O governo da Bulgária vai se reunir na quarta-feira para tomar providências para ajudar os seis a voltarem à vida normal.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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