Bunge Limited diz que Brasil é ''lugar ideal para investir''

Líder em alimentos paga US$ 1,48 bilhão por cinco usinas de álcool

Gustavo Porto, O Estadao de S.Paulo

24 Dezembro 2009 | 00h00

A Bunge Limited, líder mundial no setor do agronegócio e alimentício, confirmou ontem, por meio de fato relevante na Bolsa de Nova York, a aquisição de participação em cinco usinas sucroalcooleiras do Grupo Moema, de São Paulo, por US$ 1,48 bilhão.

A multinacional que controla a Bunge Alimentos, maior empresa de agronegócios do Brasil, fechou acordo para se tornar controladora da Moema Participações (Moema Par). A notícia foi antecipada pela Agência Estado, na edição de ontem do Estado. O negócio deverá ser concluído em 45 dias.

Segundo a Bunge, a operação será estruturada como troca de ações e os acionistas da Moema Par - os empresários Maurílio Biagi Filho, Eduardo Diniz Junqueira e os filhos de Armando Junqueira - terão direito a receber aproximadamente 7,3 milhões de ações ordinárias da Bunge Limited. O acordo inclui um pagamento de US$ 36 milhões em capital de giro.

"Com base no preço de fechamento das ações ordinárias da Bunge, o valor da transação com a Moema Par é de aproximadamente US$ 896 milhões, incluindo aproximadamente US$ 480 milhões de endividamento líquido e excluindo este montante de capital de giro. A quantidade final de ações a serem emitidas se baseará nos montantes de endividamento líquido e de capital de giro da Moema Par na finalização da transação", informou a Bunge.

A Bunge confirmou que acordos previstos para serem fechados com outros acionistas nas próximas semanas para comprar participações remanescentes das cinco unidades do Grupo Moema terão condições econômicas consistentes com os da transação com a Moema Par. O acordo total consistirá na troca de 13,4 milhões de ações ordinárias da Bunge Limited, um pagamento de aproximadamente US$ 60 milhões correspondente a capital de giro. O valor total das transações será de aproximadamente US$ 1,48 bilhão, incluindo cerca de US$ 710 milhões de endividamento líquido e excluindo este montante de capital de giro.

A Bunge Limited informou que fará uma declaração de registro para as ações ordinárias emitidas aos acionistas que participam da transação, que permitirá a venda dos papéis de tempos em tempos.

O Credit Suisse prestou assessoria financeira à Bunge e o Itaú BBA a assessoria financeira aos vendedores.

A Moema Par controla 100% da unidade Moema, em Orindiúva (SP). Controla também 56% da usina Frutal, no Triângulo Mineiro; 50% da Ouroeste, na cidade paulista; 40% da Guariroba, em Pontes Gestal (SP); e 43,75% da Itapagipe, na cidade localizada também em Minas Gerais. Entre os sócios da Moemapar nas usinas estão a Agropecuária CFM, o Grupo Arakaki, a Cargill, concorrente da Bunge, outros minoritários e a Humus Agrícola.

Para que o acordo com a Bunge fosse finalizado, a Humus Agrícola, que detinha 50% da Usina Vertente, assumiu 100% do controle da unidade que pertencia à Moema Par e cedeu os 30% que tinha na Guariroba para o sócio. Com isso, não participou da operação de troca de ações.

As unidades adquiridas processam cerca de 13,5 milhões das 15,4 milhões de toneladas anuais de cana do grupo Moema.

Além da aquisição finalizada ontem, a Bunge já possui no Brasil 80% da Usina Santa Juliana, no Triângulo Mineiro, com moagem estimada em 2,5 milhões de toneladas de cana por safra. A multinacional também tem dois projetos em construção: a usina Pedro Afonso, em Tocantins, e a Usina Monte Verde, em Ponta Porá (MS).

MERCADO PROMISSOR

O presidente executivo da Bunge Limited, Alberto Weisser, comemorou o negócio com elogios ao Brasil, considerado por ele como o lugar ideal para se investir em açúcar e energia.

"O mercado interno está crescendo rapidamente; como o país tem o menor custo de produção do mundo, está bem posicionado para aumentar suas exportações tanto de açúcar como de etanol", declarou.

Para Weisser, a transação cumpre o objetivo da Bunge de construir um negócio integrado de açúcar e de bioenergia de grande escala. "Representa um ganho de escala significativo em relação as nossas operações e nos permite variar a produção entre múltiplos produtos de açúcar e etanol de acordo com as condições de mercado", disse o executivo.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.