Bureau Internacional Des Poids Et Mesure
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Busca do 'quilo perfeito' mobiliza cientistas

Pesquisadores não conseguem criar padrão preciso para substituir o protótipo de 1889, que ''emagreceu'' 0,000005 g

, O Estado de S.Paulo

15 de fevereiro de 2011 | 00h00

SÈVRES, FRANÇA

Ninguém sabe ao certo por que o protótipo internacional do quilograma - o pedaço de platina e irídio mais mimado de todos os tempos - parece hoje pesar menos do que na época de sua fabricação, no fim do século 19.

"Seu palpite vale tanto quanto o meu", disse Terry Quinn, diretor do Bureau Internacional de Pesos e Medidas, localizado em Sèvres, nos arredores de Paris. É aqui que o quilograma - o padrão internacional usado para medir todos os demais quilogramas - reside em condições controladas estabelecidas em 1889, num cofre subterrâneo que só pode ser aberto com três chaves diferentes em posse de três pessoas distintas.

A alteração, descoberta quando o protótipo foi comparado às suas cópias oficiais, em 2007, corresponde a 50 microgramas - a massa de um grão de areia. Mas mostra que o protótipo fracassou na sua função primordial: servir como marco da estabilidade num mundo de incertezas.

E também significa, de acordo com os cientistas, que chegou a hora de descobrir uma nova maneira de calcular o peso de 1 kg, definido de maneira deliciosamente frustrante: "Unidade de massa equivalente à massa do protótipo internacional do quilograma".

A ideia seria atrelar o futuro conceito de quilograma a uma constante física fundamental e não a um objeto inconstante. O quilograma é a última unidade básica de medida a ser expressada em termos de um artefato fabricado. As outras seis que compõem o Sistema Internacional de Unidades - o metro, o segundo, o ampère, o kelvin, o mol e a candela - não têm mais como referência um objeto físico.

A nova definição proposta para o quilograma toma como base uma quantidade física conhecida como constante de Planck - uma constante adorada pelos físicos quânticos, mas cuja expressão deixa a desejar em termos de precisão. Faz anos que meia dúzia de equipes em todo o mundo tenta medir a constante de Planck, chegando a um nível de incerteza suficientemente baixo. Uma resolução poderia levar outros cinco ou dez anos, disse Michael Kühne, diretor do bureau de medidas. "Apesar de todos esperarem que os experimentos produzam resultados excelentes, não possuo bola de cristal."

Enquanto não chegam a um consenso, os cientistas planejam redefinir também outras unidades de medida. O rascunho de uma resolução que deve ser avaliada pela Conferência Geral sobre Pesos e Medidas em outubro inclui novas e melhoradas definições do ampère, do mol e da candela. "Essa seria a maior alteração desde a apresentação do sistema métrico durante a Revolução Francesa", disse Quinn. / NYT. TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

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