Busca por ouro em meio à crise resgata produção no Brasil--Ibram

As sucessivas crises econômicas que aumentaram nos últimos anos a corrida de investidores por aplicações em ouro, considerado um porto seguro em meio a turbulências, têm contribuído para despertar mineradoras e resgatar a produção no Brasil, avalia a principal entidade que representa as empresas do setor.

SABRINA LORENZI, Reuters

07 de novembro de 2012 | 15h53

A produção brasileira de ouro deve crescer cerca de 28,5 por cento nos próximos quatro anos, para 90 toneladas em 2016, prevê o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram).

"O crescimento ocorre em função de novas tecnologias de lavra e do aumento do preço, que subiu muito nos últimos anos", afirmou à Reuters o diretor de Assuntos Minerários do Ibram, Marcelo Tunes.

O aumento na produção de ouro só perde para estimativas de crescimento na extração de minério de ferro (61 por cento) e de cobre (33 por cento), produtos que têm sido alvo de grandes projetos da Vale.

Os preços do ouro mais que dobraram desde setembro de 2008, quando foi deflagrada a crise financeira que quebrou bancos americanos e esfriou a demanda por outros metais. A onça vendida no mercado spot nesta terça-feira era cotada acima de 1.700 dólares, segundo dados da Reuters.

"Esses valores não vão parar de subir por causa da crise atual; qualquer crise faz aumentar o valor do ouro", acrescentou o representante das mineradoras.

Neste ano, a produção de ouro deve alcançar 70 toneladas, ante 66 toneladas registradas em 2011 e 58 toneladas em 2010.

Os níveis atuais correspondem a pouco mais da metade do que o Brasil chegou a produzir no fim da década de 1980. A extração atingiu o pico de 112 toneladas por ano, com expressiva contribuição da produção em garimpos e destaque para Serra Pelada.

O Brasil, atualmente o décimo terceiro maior produtor de ouro no mundo, deve exportar cerca de 47 toneladas do metal, num total de 2,37 bilhões de dólares em 2012, segundo estimativas do Ibram.

A entidade estima investimentos de 1,7 bilhões de dólares em projetos de ouro até 2016.

Entre os principais projetos citados pelo Ibram está a expansão de uma mina em Sabará, em Minas Gerais. A Jaguar Mineração, através da Mineração Serra do Oeste, prevê aportes de 300 milhões de dólares.

Na mesma região, a AngloGold Ashanti possui um projeto de expansão de ouro de 220 milhões de dólares.

Também é citado um projeto de expansão da Kinross de 200 milhões de dólares em Paracatu (MG). Será o mesmo valor investido pela EldoradoGold em Tapajós, no Pará.

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