Bush acirra campanha presidencial ao atacar Obama indiretamente

O presidente dos Estados Unidos,George W. Bush, jogou lenha na fogueira da corrida paraescolher seu sucessor ao sugerir, na quinta-feira, que apromessa feita pelo pré-candidato favorito para vencer asprévias do Partido Democrata, Barack Obama, de conversar com aliderança iraniana equivalia ao "falso conforto de fazerconcessões". "Alguns acreditam que deveríamos negociar com osterroristas e os radicais como se algum tipo de argumentoengenhoso conseguisse convencê-los de que estão totalmenteerrados", afirmou Bush em Israel, onde participa dascomemorações pelos 60 anos da fundação do Estado judaico. Sem mencionar o nome de Obama, o presidente comparou "essatola ilusão" com o prelúdio da Segunda Guerra Mundial. "Quando os tanques nazistas cruzaram a fronteira da Polôniaem 1939, um senador norte-americano declarou: 'Meu Deus, se eupudesse ter conversado com Hitler, tudo isso poderia ter sidoevitado'. Temos a obrigação de chamar isso pelo seu nome -- ofalso conforto de fazer concessões. Algo que veio a serrepetidas vezes desacreditado pela história", afirmou. Os EUA ingressaram na Segunda Guerra Mundial quando o Japãoatacou Pearl Harbor, no Havaí, em 1941, mais de dois anosdepois da invasão da Polônia pela Alemanha. Bush, que tem evitado falar a respeito da atual corridapresidencial, que termina na eleição geral em novembro,provocou uma resposta dura de Obama, o senador pelo Estado deIllinois que está perto de derrotar sua rival Hillary Clintonpela vaga do Partido Democrata no pleito do final do ano. Obama diz que gostaria de reunir-se com os líderes depaíses considerados hostis pelo governo norte-americano, como oIrã, a Síria e Cuba. O pré-candidato argumenta que os EUAcometem um erro ao se recusarem a conversar com essas nações. 'FALSO ATAQUE' "É triste ver o presidente Bush usando o pronunciamentofeito por ele no Knesset (Parlamento israelense) em comemoraçãopelos 60 anos de aniversário da independência de Israel paralançar um falso ataque político", afirmou Obama. "George Bush sabe que eu nunca concordei com umaaproximação em relação aos terroristas. E a extraordináriapolitização das políticas externas realizada pelo presidente esua política do medo não colaboram em nada para garantir asegurança do povo norte-americano ou do nosso fiel aliadoIsrael", disse. O candidato do Partido Republicano à Presidência, JohnMcCain, em campanha no Estado de Ohio, não repetiu a expressão"fazer concessões" quando questionado a respeito doscomentários de Bush. Mas criticou a promessa de Obama de conversar diretamentecom os inimigos dos EUA, e em especial com o Irã. "Esse é um grave erro da parte do senador Obama. Eledemonstra ingenuidade, inexperiência e falta de bom sensoquando diz que desejaria sentar-se à frente de uma pessoa quelidera um país que diz que Israel é um 'cadáver fedorento', umpaís dedicado à destruição do Estado de Israel. Minha perguntaé: sobre o que ele deseja conversar?", disse McCain. Tanto Bush quanto McCain costumam criticar o presidenteiraniano, Mahmoud Ahmadinejad, por ameaçar Israel, e ambosacreditam que não se pode permitir ao Irã que desenvolva armasnucleares, uma meta que o governo iraniano nega acalentar. Dana Perino, porta-voz da Casa Branca, insistiu sobre ofato de Bush não ter investido diretamente contra Obama. Eafirmou: "Há muitas pessoas que sugeriram esse tipo denegociação com gente com as quais o presidente Bush acreditaque não deveríamos conversar." Um nome de peso que apóia McCain, Joe Lieberman, senadorindependente pelo Estado de Connecticut e ex-candidato avice-presidente pelo Partido Democrata, disse que Bush "acertouna mosca" ao rejeitar a idéia de que "se nos sentássemos comesses assassinos e negociássemos com eles, eles parariam de nosameaçar." No entanto, a presidente da Câmara dos Representantes(deputados) dos EUA, Nancy Pelosi, uma democrata, disse que asdeclarações de Bush "ficaram aquém da dignidade exigida pelocargo de presidente e não são dignas do nosso representantenaquela cerimônia realizada em Israel." "Eu espero que qualquer pessoa séria que pretenda assumirum papel de liderança no nosso país se afaste das declaraçõesdo presidente," acrescentou.(Reportagem adicional de Caren Bohan e Jeff Mason)

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