Bush chega a Israel para celebrações dos 60 anos do país

Pessimismo sobre acordo de paz entre israelenses e palestinos domina visita do presidente americano

Agências internacionais, BBC

14 de maio de 2008 | 07h25

O presidente americano, George W. Bush, participa nesta quarta-feira, 14, em Jerusalém, das celebrações de 60 anos da criação de Israel em meio a um clima de pessimismo quanto às chances de um acordo de paz para a região ainda durante o seu governo.   Veja também:   Bush diz que vitória democrata provocaria outro 11/09   Escândalo de corrupção de Olmert ofusca visita de Bush a Israel   Bush foi recebido no aeroporto Ben Gurion, próximo a Tel Aviv, pelo presidente, Shimon Peres, e o primeiro-ministro, Ehud Olmert. Os três pronunciaram um breve discurso, no qual o presidente americano ressaltou seu "orgulho" de reafirmar com esta visita a amizade entre os dois povos. "Nossas nações enfrentam grandes desafios e têm os mesmos princípios para triunfar perante eles", disse.   Peres agradeceu a Bush a "forte amizade" e a "dedicação à paz e à segurança na região", enquanto Olmert qualificou o líder americano como o "aliado e parceiro mais próximo" de Israel, e agradeceu por seu "compromisso sem limite com a segurança e bem-estar" do Estado judeu.   Às 20h (14h de Brasília), Bush assistirá com Olmert e suas respectivas esposas a um evento no Centro de Exposições e Congressos de Jerusalém, que conta ainda com a participação de outros doze chefes de Estado. A conferência de três dias, inaugurada na terça-feira, reúne 3.500 convidados, entre eles dezenas de líderes políticos, econômicos e sociais, como o ex-primeiro-ministro do Reino Unido e atual enviado do Quarteto do Oriente Médio, Tony Blair, o artífice da Perestroika, Mikhail Gorbachov, e o ex-presidente do Governo espanhol José María Aznar.   O objetivo da conferência é analisar em 35 painéis os desafios da sociedade global e o futuro do povo judeu e do Estado de Israel no contexto internacional. Bush deve pronunciar um discurso sobre os laços de amizade entre EUA e Israel, que é considerado o principal ato do evento.   "Creio que podemos conseguir (um acordo de paz antes que eu deixe o cargo, em janeiro do ano que vem)", disse Bush à BBC antes de viajar a Israel.  "Vamos trabalhar duro para isso. Veja bem, eu entendo que é difícil", completou. Na terça-feira, a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, disse que tal acordo "pode ser improvável, mas não impossível". Chances de acordo O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, vem sendo pressionado para deixar o cargo por causa de uma investigação policial envolvendo corrupção. Sem Olmert, existe a possibilidade de novas eleições parlamentares e a chegada ao poder de um governo israelense ainda menos disposto a negociar com os palestinos. Bush disse ao jornal israelense Haaretz que as negociações de paz podem prosseguir mesmo sem o atual primeiro-ministro. "Esse não é um plano de Olmert, é um plano de um governo", disse ele, se referindo aos processo enfrentado pelo primeiro-ministro israelense como "um assunto legal dentro do sistema. O sistema vai lidar com isso... tendo dito isso, minhas relações com o primeiro-ministro são excelentes". Com menos de um ano para o fim do mandato de Bush e com líderes enfraquecidos tanto em Israel quanto nos territórios palestinos, analistas acreditam que as chances de se chegar a um acordo real nesse período são pequenas. A liderança política palestina está dividida, com o Fatah controlando a Cisjordânia e o Hamas, a Faixa de Gaza. Israel reconhece apenas o Fatah como eventual parceiro de negociações. Em novembro, lideranças israelenses e do Fatah concordaram, em princípio, a tentar chegar a um acordo de paz até o final deste ano - mas o diálogo entre as duas partes foi interrompido.   Olmert e o presidente palestino, Mahmoud Abbas, não vão se encontrar durante a viagem do líder americano. Bush deve conversar com Abbas no Egito, a última etapa de seu giro de cinco dias pelo Oriente Médio (que inclui também a Arábia Saudita). O analista da BBC Jonathan Marcus afirma que, dada a fraqueza dos atuais líderes e o histórico do presidente americano, este não parece ser um momento adequado para grandes medidas pela paz no Oriente Médio. Ele diz que durante dois mandatos, as iniciativas de Bush para a região não foram bem sucedidas, citando a invasão do Iraque e a política de isolar o Irã e a Síria, que gerou o fortalecimento regional iraniano e de grupos apoiados pelo país, como o Hezbollah, no Líbano, e o Hamas. "Seu sucessor (do presidente americano) terá que lidar com um Oriente Médio muito diferente e bem mais instável do que Bush teve que lidar em seus primeiros meses no cargo", afirmou Marcus.   (Com BBC Brasil e Efe)   Matéria atualizada às 08h40.

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