Bush pede US$ 500 mi ao Congresso para 'Plano México'

Projeto contra narcotráfico quer combater tráfico; governos tentam evitar comparação com Colômbia

Lourdes Heredia, BBC

23 de outubro de 2007 | 09h35

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, enviou nesta segunda-feira ao Congresso um pedido de US$ 500 milhões em ajuda ao México para o combate ao narcotráfico e ao crime organizado.O plano divulgado pelo governo americano recebeu o nome de "Iniciativa de Mérida", em referência à cidade mexicana onde Bush se reuniu com o presidente Felipe Calderón, em março de 2007, para discutir o assunto.Segundo um comunicado de imprensa da Casa Branca, os US$ 500 milhões são a primeira parcela de um total de US$ 1,4 bilhão previsto nos próximos dois anos para "combater as ameaças do tráfico de drogas, o crime transnacional e o terrorismo no hemisfério".Informalmente, o projeto é chamado de "Plano México", mas os governos mexicano e americano tentam evitar comparações com o "Plano Colômbia", que destinou mais de US$ 4 bilhões entre 1999 e 2007 para o combate ao narcotráfico e ao crime organizado no país sul-americano.O pedido do presidente americano ao Congresso foi feito como parte dos gastos suplementares para a guerra no Iraque e no Afeganistão.Além dos US$ 500 milhões para o México, o pedido de Bush ao Congresso inclui mais US$ 50 milhões para o combate do narcotráfico e do crime na América Central."Isso outorga assistência vital para nossos sócios no México e na América Central que estão trabalhando para desmantelar os cartéis da droga e lutando contra o crime organizado e o tráfico de pessoas", afirmou Bush em seu anúncio, sem dar detalhes.O comunicado da Casa Branca informa que "o presidente Bush aprecia as ações que o presidente Felipe Calderón vem tomando para enfrentar esses perigos e quer incrementar o nível de cooperação com o país".O embaixador americano no México, Tony Garza, também destacou a importância de ajudar o país vizinho."É do interesse da segurança nacional reduzir a ameaça de crimes e violência que afeta as sociedades deste hemisfério", disse.O plano depende ainda de aprovação do Congresso. Para analistas políticos, incluir esses fundos na lei suplementar para gastos da guerra contra o terror pode complicar sua aprovação.Outra leitura feita pelos analistas é a de que o governo Bush decidiu juntar os pedidos de ajuda porque quer que a luta contra o crime organizado seja vista como um problema de "segurança nacional".Alguns congressistas concordariam com a percepção de que o problema mexicano vai além da fronteira e afeta também os Estados Unidos.Porém, muitos legisladores democratas se queixaram da pouca transparência com que o plano foi negociado.Apesar de não terem manifestado uma posição oficial, vários congressistas contactados pela BBC afirmaram que esperam conhecer mais detalhes sobre como será utilizada essa ajuda antes de dar sua opinião."É verdade que tem sido um processo bastante longo e pouco público. Isso pode ser contraproducente para que os democratas aprovem a ajuda", avaliou Andrew Seele, diretor do Instituto México do Centro Woodrow Wilson.Pelo que se conhece até agora do plano, ele inclui treinamento, capacitação e, além de tudo, assistência material para a luta contra o crime organizado.A proposta no papel estaria agora circulando pelos corredores do Congresso, e os detalhes deverão surgir nos próximos dias.Apesar de ainda depender da palavra final do Congresso, o anúncio da proposta americana marca o início de uma nova era na relação entre os Estados Unidos e o México.Para alguns analistas, como Michael Shifter, do centro de investigação Diálogo Interamericano, os Estados Unidos devem responder à violência no país vizinho, e ajudá-lo a evitar que ela se aprofunde."Os Estados Unidos têm responsabilidade em parte pelo que está ocorrendo no México, tanto pela demanda de drogas quanto pelas armas que o crime organizado utiliza. A maioria chega dos Estados Unidos, e deveria haver um maior controle sobre isso aqui", afirmou.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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