Cabra produz enzima 'que protege contra gases nervosos'

Modificação genética fez com que animais produzissem leite com antídoto para veneno

BBC Brasil, BBC

24 Julho 2007 | 10h18

Cabras modificadas geneticamente podem produzir um antídoto em seu leite que protege contra os efeitos mortais de gases nervosos, como o sarin e o VX. A descoberta foi publicada na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences, nos Estados Unidos. Agentes como o gás sarin fazem parte do grupo de organofosforados, substâncias que podem ser utilizadas na fabricação de armas químicas. Em contato com o organismo, os gases afetam o sistema nervoso, provocando convulsões, paralisia no sistema circulatório e nos pulmões, podendo causar a morte. O Departamento de Defesa do governo americano está patrocinando as pesquisas da empresa PharmAthene, que desenvolve a experiência com as cabras. As autoridades esperam que o antídoto que será produzido a partir da enzima butirilcolinesterase, obtida em grandes quantidades no leite de cabras modificadas geneticamente, possa proteger soldados contra a exposição a agentes nervosos nos campos de batalha. Os pesquisadores envolvidos explicam que a enzima butirilcolinesterase é produzida em baixas quantidades pelo organismo humano. Durante a experiência, os cientistas introduziram em uma molécula vetora seqüências de DNA que produziram a forma humana da butirilcolinesterase. Em seguida, a molécula foi introduzida num embrião de cabra. Isto permitiu, dizem os especialistas, que o gene humano fosse incorporado pela seqüência de DNA da cabra. Os caprinos resultantes da experiência, todos saudáveis, produziram grandes quantidades da enzima em seu leite. Até agora, as cabras modificadas geneticamente produziram quase 15 quilos do antídoto, que uma vez conectado às moléculas dos gases nervosos, podem neutralizar sua ação. "É um processo muito difícil de se obter. Há uma história de tentativas para se produzir a enzima em tudo, desde insetos até células mamárias", disse Solomon Langermann, co-autor do artigo publicado da revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences, que detalhou as descobertas da equipe de pesquisadores. "Nenhuma dessas experiências, porém, foi capaz de produzir nada além de alguns miligramas (da enzima). Na cabra, podemos obter entre dois ou três gramas por litro", afirma Langermann. Uma vez isoladas do leite, os cientistas introduziram a butirilcolinesterase em porcos-da-guiné e constataram que a enzima se manteve ativa na circulação sangüínea. Langermann diz que o antídoto, batizado com o nome comercial de Protexia, seria mais eficiente do que a combinação dos atuais, atropina e 2-PAM, utilizados atualmente por soldados para a prevenir a ação dos gases nervosos. "Estas drogas (de uso atual) são eliminadas do organismo rapidamente. Mesmo que o soldado sobreviva, vai sofrer severos danos neurológicos". "Com Protexia, ele sobrevive e ainda poderá retornar ao campo de batalha". Ainda não há previsões para que o novo medicamento entre em uso. Antes, precisa passar por testes de segurança e ter a aprovação do governo americano.   BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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