Cabral ainda tem 'muito a fazer' para recuperar o Rio, diz 'Economist'

Revista elogia governo e diz que houve avanços, mas violência ainda é problema.

Da BBC Brasil, BBC

18 Julho 2008 | 05h36

O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, já conquistou alguns avanços em seu esforço para recuperar a capital do Estado, mas ainda tem muito trabalho pela frente, afirma uma reportagem publicada na edição desta semana da revista britânica The Economist.Segundo o texto, quando Cabral foi eleito, no final de 2006, havia grande expectativa de que o novo governador fosse combater a corrupção, entre os políticos e dentro da polícia, e tirar a cidade do Rio de "25 anos de declínio"."Depois de um ano e meio no poder, como Cabral está se saindo?", pergunta a revista.A reportagem afirma que, segundo o secretário estadual da Fazenda, Joaquim Levy, o plano era primeiro colocar as finanças do Estado em dia, para então financiar melhorias em saúde e segurança pública."A primeira parte correu bem", diz o texto. "As finanças do Estado passaram de um déficit de R$ 100 milhões para um superávit de R$ 790 milhões no ano passado."Violência"No entanto, o governo no Rio é julgado principalmente pelo índice de violência, e nesse ponto seu desempenho não é tão bom", diz a Economist.A revista afirma que, enquanto a taxa de homicídios vem caindo no Brasil, na cidade do Rio as mortes provocadas pela polícia "aumentaram de 300, em 1998, para 900, no ano passado".A revista cita os casos do menino de três anos de idade metralhado por policiais que confundiram o carro de sua mãe com o de criminosos e dos três jovens do Morro da Providência que foram mortos depois de terem sido entregues por militares do Exército a traficantes.A reportagem afirma que "parte do problema do Rio é que os eleitores vêm há muito demonstrando preferência por charme em vez de habilidade administrativa na hora de escolher seus políticos".A Economist cita como exemplos os ex-governadores Anthony Garotinho e Rosinha Matheus. Segundo a reportagem, esse padrão parece ter sido quebrado pelo governo de Cabral, mas dá mostras de estar ressurgindo. A revista menciona a candidatura de Marcelo Crivella à prefeitura da capital do Estado, que aparece como favorito nas pesquisas para a eleição municipal de outubro."Comparado com essa tradição, o governo de Cabral, que é limpo, competente e leva as instituições a sério, é um grande avanço", diz a Economist. "No entanto, ainda é muito cedo para declarar que o renascimento do Rio está em curso", afirma a reportagem. "Como atestam as metralhadoras nas ruas, há ainda muito a ser feito."BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.