Cabral critica ocupação irregular em tragédia por chuvas no Rio

O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, responsabilizou nesta quinta-feira a "permissividade" na ocupação de áreas irregulares pela tragédia que já matou mais de 350 pessoas na região serrana do Estado, vítimas de deslizamentos decorrentes da chuva que começou na terça-feira.

REUTERS

13 de janeiro de 2011 | 11h43

"Há um conceito de décadas de permissividade de ocupação de encostas, se houvesse um padrão rígido de ocupação, teríamos vítimas sim, porque o volume de chuva foi acima do normal, mas não podemos chegar a quase 500 mortos", disse o governador em entrevista à rádio CBN.

Cabral afirmou ainda que "o solo urbano é responsabilidade da municipalidade", segundo determinação da Constituição de 1988. O governador sobrevoará a área afetada pelas chuvas nesta quinta-feira, acompanhado da presidente Dilma Rousseff.

O número de mortos pelas chuvas na região serrana chegou a 356, segundo balanço da manhã desta quinta-feira. A cidade mais afetada é Nova Friburgo, com 168 mortos, seguida por Teresópolis, com 152, e Petrópolis, com 36.

Autoridades estimam que o número de vítimas deve aumentar nas próximas horas, pois as equipes da Defesa Civil ainda não conseguiram acessar algumas regiões afetadas, especialmente em Teresópolis, uma vez que os deslizamentos de terra bloquearam acessos.

"A situação está brava e muito difícil. O número de vítimas pode aumentar ainda mais. Estou aqui para mostrar à presidente Dilma tudo isso que está acontecendo", disse à Reuters o vice-governador do Estado, Luiz Fernando Pezão, que está em Nova Friburgo.

A chuva voltou a cair sobre Teresópolis nesta quinta-feira, e um hospital de campanha foi montado na cidade para atender as vítimas.

Em Nova Friburgo, vários bairros estão sem água e luz e os telefones praticamente não funcionam. O comércio na cidade estava fechado na manhã desta quinta, e a população se mobilizava para tirar terra e lama das casas, lojas, ruas e avenidas.

(Reportagem de Rodrigo Viga Gaier; Texto de Eduardo Simões; Edição de Maria Pia Palermo)

Tudo o que sabemos sobre:
GERALCHUVASCABRAL*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.