Cachacier por um dia. Foi um programão

Cachacier por um dia. Foi um programão

Dois chefs, uma barista e um especialista com uma missão: criar o blend 2011 da Cachaça da Tulha, edição especial que mistura cachaças envelhecidas em diferentes madeiras

Nana Tucci,

12 Outubro 2011 | 23h06

Foram duas horas bebericando e mesclando cachaças envelhecidas em tonéis de carvalho americano e europeu, amburana, bálsamo e jequitibá até chegar a sete blends. À mesa, no restaurante Mocotó, quatro experts de áreas distintas: o cachacier Leandro Batista, a barista Isabela Raposeiras e os chefs Rodrigo Oliveira e Helena Rizzo. Tinham a missão de escolher o blend especial 2011 da Cachaça da Tulha, de Mococa.

Degustadores Leandro, Isabela, Rodrigo e Helena na experimentação. Foto: Felipe Rau/AE

Os tubos de ensaio em que as cachaças eram mescladas foram manejados pelo consultor Erwin Weimann, que primeiro serviu doses individuais dos blends para que todos soubessem identificá-los mais tarde. O carvalho deixou a cachaça com alma de uísque; o bálsamo entrou com notas de cravo e canela; o carvalho europeu trouxe aroma de baunilha e tons tostados. A amburana veio adocicada, trazendo a lembrança do tabaco; e o jequitibá agradou pela neutralidade.

Erwin criou alguns blends baseado em sua experiência e intuição, outros atendendo a pedidos. O que se fazia era testar variadas combinações e porcentagens. Entre uma e outra prova, caju com sal para limpar o paladar.

À exceção de Rodrigo, todos os convidados fizeram pedidos. Helena se alegrou com o jequitibá, "uma boa base", e fez um blend sutil, mas, segundo alguns, "sem pegada". Leandro criou um dos mais festejados, unanimemente redondo e equilibrado, só que com leve amargor e sem notas picantes. Isabela testou duas misturas, e a segunda, adocicada e picante, foi a mais bem-sucedida. Diferenças à parte, a amburana foi se firmando como elemento balizador.

No final, empate: a cachaça equilibrada de Leandro ou a provocante de Isabela? Elaboraram, em conjunto, um sétimo blend - mexendo nas porcentagens da mistura da barista (amburana, carvalho europeu e bálsamo).

"Esta tem o melhor dos dois mundos", animou-se Isabela.da. "Estou até gostando de tomar cachaça", disse. "É intrigante, uma cachaça fácil de beber, mas não é boba", achou Rodrigo.

O cachacier Mauricio Maia, à espreita, estava surpreso: "Não acreditava nesta combinação, porque são madeiras com personalidades bem diferentes".

"A história da cachaça é uma história de pouco marketing e muita conversa", concluiu Guto Quintella, dono do alambique.

É o quinto ano em que a Cachaça da Tulha lança uma edição especial assinada por profissionais renomados - as 1.800 garrafas do blend 2011 começam a ser vendidas em novembro, a R$ 100, em média.

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