Cadeia de Bilac-SP revolta deputados de CPI Carcerária

Mesmo interditada pela Justiça, a Cadeia Feminina de Bilac, a 537 quilômetros de São Paulo, continua recebendo presas. As condições desumanas em que vivem 91 mulheres causaram revolta na deputada Luíza Erundina (PSB-SP) e no deputado Jorge de Faria Maluly (DEM-SP), membro da comissão parlamentar de inquérito (CPI) do sistema Carcerário, que hoje visitaram a carceragem. "A superlotação é comum no País, mas como aqui não vi em nenhum lugar. Não há higiene alguma, as mulheres estão doentes, as condições são desumanas", afirmou Erundina. "Esta situação é tão degradante que sou obrigado a fazer um relatório para que a CPI passe a tratar da situação dessa carceragem. Isso aqui é um absurdo", disse o deputado Faria Maluly.A cadeia foi interditada no dia 14 de fevereiro pelo juiz de Bilac, João Alexandre Batagelo, por não apresentar estrutura para atender os requisitos mínimos de higiene e segurança para as presas. O juiz pediu a transferência de todas as detentas e estipulou uma multa diária de R$ 10 mil, mas a resposta do governo paulista era de que as presas precisariam agüentar até 2010 quando será entregue um novo presídio feminino no interior do Estado. O prazo de 10 dias dado pela Justiça termina na segunda-feira."Não podemos esperar mais. É só olhar e ver que não há qualquer condição dessas mulheres continuarem aqui", afirmou Erundina. Em cada cela de 22 metros quadrados convivem mais de 30 detentas. De acordo com os órgãos de Direitos Humanos, o correto seria uma presa para cada seis metros quadrados, mas em Bilac, o espaço é de 81 centímetros por presa.

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