Cadeirante denuncia ameaça de morte em SP

Um inquérito foi instaurado hoje, pela Corregedoria da Polícia Civil de São José dos Campos (SP), tendo como possível vítima de ameaça de morte o advogado e cadeirante Anatole Magalhães Macedo Morandini. A ameaça de morte, que segundo o advogado teria ocorrido na tarde do dia 28 de janeiro, foi feita por meio de ligação de um telefone da Delegacia Seccional da Polícia Civil, conforme ele constatou ao ligar para o mesmo número, logo em seguida.

JOÃO CARLOS DE FARIA, Agência Estado

10 de fevereiro de 2011 | 19h37

Ele teria sido atendido por alguém da Delegacia Seccional e pediu para falar com o delegado assistente Sidney Dorce, que o orientou a registrar Boletim de Ocorrência. No momento da ligação, 14 policiais encontravam-se na delegacia e todos devem ser ouvidos.

De acordo com processo que corre na 4ª Vara Criminal da cidade, o advogado e cadeirante teria sido agredido em 17 de janeiro, pelo delegado Damásio Marino, após uma discussão por causa da ocupação irregular, pelo policial, de uma vaga para deficientes, no centro da cidade. O caso ganhou repercussão nacional.

"Estamos iniciando um novo procedimento, com base nas declarações do advogado e deveremos ouvir as pessoas que, em tese, estariam mais próximas do aparelho de onde teria sido gerada a ligação", disse o delegado corregedor Antonio Álvaro Sá de Toledo. O celular de Morandini foi recolhido pela polícia para perícia e o inquérito tem 30 dias para ser concluído.

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) informou que pretende pedir a quebra do sigilo telefônico do aparelho, de onde teriam sido originadas as ligações, com as ameaças, dependendo dos resultados das investigações.

Segundo o presidente Regional de Direitos e Prerrogativas da OAB, Onivaldo Freitas Junior, sendo confirmadas as ameaças, será pedida proteção policial ao cadeirante. Morandini não foi encontrado para falar sobre o caso, mas anteriormente havia declarado à imprensa que teme que esteja sendo seguido e que seu celular estivesse grampeado.

A Delegacia Seccional de São José dos Campos informou, por meio de nota, que não poderia se manifestar sobre a denúncia, por se tratar de uma investigação que está sendo feita pela Corregedoria. O delegado Damásio Marino, que era titular do 6º Distrito Policial da cidade, foi afastado do cargo no dia 20 de janeiro - com redução de 30% no salário - e deve responder pelos crimes de injúria, ameaça e lesão corporal dolosa, agravados por abuso de autoridade e violação de dever.

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