Cães e bebês têm inteligências parecidas, diz estudo

Segundo pesquisadores, transmissão do saber cultural faz aprendizes reterem e imitarem seletivamente informações pela observação das habilidades dos outros

Agencia Estado

14 de junho de 2007 | 17h03

Uma pesquisa realizada na Universidade de Viena revelou que cachorros podem apresentar os mesmos níveis de inteligência de um bebê de 14 meses. Os pesquisadores, que publicaram o estudo na revista Current Biology, realizaram testes físicos com bebês e cachorros separadamente e descobriram resultados semelhantes.Num primeiro momento, eles analisaram várias crianças de 14 meses, que, individualmente, assistiam sentadas quando a mãe entrava no quarto carregando um cobertor com as duas mãos. Em seguida, as mães usaram a testa para acender a luz num interruptor. Os pesquisadores observaram que, quando chegou a vez de as crianças acenderem a luz, elas usaram as mãos e não a cabeça.Segundo os analistas, os bebês perceberam que suas mães só haviam usado a testa porque estavam com as mãos ocupadas. Imitação seletivaSegundo os cientistas, os testes provaram que em vez de copiarem cegamente as mães, os bebês analisaram o que viram e perceberam que suas mãos eram certamente mais apropriadas para a tarefa. A segunda etapa do estudo foi realizada com cães. Os pesquisadores realizaram testes semelhantes para checar se eles reagiriam da mesma forma. Sabendo que cachorros normalmente usam a boca para locomover objetos, os estudiosos treinaram a cachorra Guinness, da raça Collie, a empurrar uma barra de madeira com as patas enquanto carregava uma bola na boca. A cadela percebeu que, se assim o fizesse, ganharia comida.Em seguida, Guinness realizou a tarefa diante de dois grupos. Para o primeiro, empurrou a barra com patas e bola na boca e, para o segundo, com a boca vazia. Um terceiro grupo de cães, que não assistiu à ação de Guinness, foi deixado livre para agir como quisesse.Como esperado, 12 dos 14 cachorros empurraram a barra com a boca. Em seguida, o grupo de 19 cachorros que havia visto Guinness empurrar a barra com as patas e a boca vazia, testaram o equipamento. Os pesquisadores constataram que 83% a imitaram, certos de que essa era a chave para receber a comida. Mas a revelação veio quando os 21 cães, que a viram empurrar a barra com a bola na boca, não repetiram a ação. De acordo com os estudiosos, 80% deles usaram a boca para empurrar a bola. Assim como os bebês, os cães perceberam que Guinness só havia usado as patas porque estava com a boca ocupada. De acordo com a pesquisadore Friederike Range, que liderou pesquisa, a transmissão do saber cultural "requer que aprendizes identifiquem qual informação deve ser retida e imitada seletivamente quando observam as habilidades dos outros". "Crianças já haviam demonstrado essa habilidade", disse. "A surpresa foi constatar que cachorros também fazem a imitação seletiva, sem repetirem o que vêem indiscriminadamente. Se imitam ou não, depende do contexto", conclui a pesquisadora.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.