Café arábica sobe 2,5% em janeiro

Segundo o Cepea/Esalq, estoques apertados e expectativa de safra razoável são os fatores da altas

Tomas Okuda, O Estado de S.Paulo

20 Fevereiro 2008 | 03h07

O indicador de preço Cepea/Esalq para o café arábica, tipo 6, bebida dura para melhor, teve média de R$ 267,84 a saca (de 60 quilos) em janeiro, posto em São Paulo. O resultado representa aumento de 2,5% sobre o valor de dezembro (R$ 261,28). Conforme os pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP), os principais fatores de alta são os estoques apertados e a estimativa de que a próxima safra brasileira não será recorde.Notícias relacionadas à oferta restrita de robusta na Ásia também refletiram em melhores cotações. O indicador de preço do café conillon teve média de R$ 205,92 a saca em janeiro, para o tipo 7/8, bica corrida, alta de 1,16% em comparação com dezembro.Os contratos futuros de café arábica na Bolsa de Nova York alcançaram na semana passada os melhores níveis dos últimos dez anos. O contrato com vencimento em março chegou a 156,25 centavos de dólar por libra-peso, na sexta-feira. A alta nos preços é atribuída à atuação dos fundos de investimento, que vêm tomando posição de compra no mercado de futuros de café. POLÍTICA ATRAENTEO segmento de commodities tornou-se atraente em grande parte por causa da flexibilização da política monetária nos EUA, com redução da taxa de juros e restituição de impostos à população. A demanda de países emergentes, liderados pelo crescimento da China, é outra razão de todas as compras que se observam no mercado. Conforme o analista Rodrigo Costa, da Corretora Newedge, a proteção contra a inflação e o bom retorno financeiro oferecido pelas commodities chamam a atenção dos investidores, num momento em que os fundamentos do mercado de café são deixados de lado.SAFRA BRASILEIRAO Brasil está às vésperas de colher uma boa safra, que não será recorde, mas deverá garantir entre 41,3 milhões e 44,2 milhões de sacas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O clima chuvoso neste início de ano beneficia o desenvolvimento das lavouras em todo o Brasil, avaliam os pesquisadores do Cepea. No Sul de Minas, maior região produtora nacional de arábica, o volume de precipitações, que ultrapassou 200 milímetros, é considerado bom para os grãos, que se encontram na fase de enchimento. O início da colheita de arábica está previsto para maio. A safra de robusta deve começar em abril.Nos países consumidores, os estoques crescem gradativamente. Na sexta-feira, a Associação de Café Verde dos EUA divulgou que os estoques norte-americanos aumentaram 21.181 sacas em janeiro, para 5,487 milhões de sacas.

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