Cai ministro alemão que omitiu morte de civis afegãos

O ministro do Trabalho da Alemanha, Franz Josef Jung, anunciou ontem sua renúncia por causa da maneira com a qual lidou com as informações referentes a um ataque aéreo alemão no Afeganistão, em setembro, que deixou mais de 100 mortos. Jung, que na época ocupava a pasta da Defesa, reconheceu que, apesar de ter recebido um relatório confidencial confirmando as mortes de civis na operação, não leu o documento.

BERLIM, O Estadao de S.Paulo

28 de novembro de 2009 | 00h00

"Estou assumindo a responsabilidade pela política interna de informação do Ministério da Defesa sobre os eventos de 4 de setembro na Província de Kunduz", afirmou Jung. A renúncia do ministro ocorreu um dia depois de o atual chefe da Defesa, Karl-Theodor Guttenberg, confirmar a saída do comandante das Forças Armadas, general Wolfgang Schneiderhan, e do vice-ministro da Defesa, Peter Wichert.

A Alemanha foi duramente criticada por ordenar o ataque - contra dois caminhões-tanque da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) capturados pelo Taleban - e por inicialmente insistir que apenas militantes haviam morrido. Uma comissão afegã responsável pela investigação do caso afirmou que pelo menos 30 civis foram mortos no ataque.

Durante dias após a operação, Jung afirmou que não havia nenhuma evidência de que civis tinham sido atingidos durante o bombardeio. No entanto, o jornal Bild publicou uma reportagem, na quinta-feira, revelando que um relatório feito um dia após o ataque sugeria a morte de civis. Imagens divulgadas pelo jornal em sua página na internet também mostram que, antes do ataque, era possível avistar uma multidão em volta dos caminhões capturados pelos insurgentes.

Na quinta-feira, Jung reconheceu que enviou à Otan, sem ler ou entregar uma cópia ao Parlamento, um relatório dos soldados alemães no Afeganistão redigido imediatamente depois do ataque. Guttenberg, que assumiu o cargo em outubro, também revelou que há pelo menos outros nove documentos redigidos pelo ministério que até dois dias atrás ainda estavam ocultos. Segundo ele, cinco dos relatórios fazem alusões a civis mortos pelo bombardeio.

Acredita-se que as novas informações apresentadas por Guttenberg perante a comissão parlamentar de Defesa teriam sido responsáveis pela queda de Jung. A renúncia do ministro é um constrangimento para a coalizão de centro-direita da chanceler Angela Merkel, que assumiu seu segundo mandato há quatro semanas. Jung tinha um posto crucial na equipe e era responsável por metade do orçamento do governo.

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