Caixa prevê crédito 40% maior e lucro encolhido em 2009

A Caixa Econômica Federal previu expansão maior da carteira de crédito e retração no lucro de 2009, tendência já apontada nos resultados do primeiro semestre.

REUTERS

17 Agosto 2009 | 14h46

A projeção de crescimento das operações de crédito para o acumulado do ano foi elevada de 30 para 40 por cento. No final de junho, a carteira do banco, de 99,2 bilhões de reais, havia crescido 56,1 por cento em 12 meses.

"Nossos números mostram que esse percentual (40 por cento) deve ser ultrapassado", disse o vice-presidente de Controle e Risco da Caixa, Marcos Vasconcelos, a jornalistas, ao comentar os resultados do primeiro semestre.

Em contrapartida, ao mesmo tempo em que alavancou o crédito, o banco teve queda em todos os índices de performance mais utilizados no sistema financeiro.

O lucro líquido caiu 54,5 por cento, para 1,16 bilhão de reais de janeiro a junho. O retorno sobre patrimônio (ROE) despencou de 44,9 por cento para 17,9 por cento, enquanto a margem financeira encolheu de 40 por cento para 31 por cento.

Segundo a presidente da Caixa, Maria Fernanda Ramos Coelho, essa queda é explicada pelo contexto de atividade econômica mais fraca, que levou o banco a uma posição mais agressiva para ampliar sua participação de mercado.

Nos seis meses até junho, a Caixa reduziu seis vezes as taxas de crédito de suas linhas.

"Nosso objetivo não é maximizar o lucro, mas ter resultados sustentáveis", disse ela, frisando a atuação anticíclica exercida pelo banco federal no período. "Achamos que seria possível sair mais rapidamente da crise se acelerássemos o crédito", completou.

A previsão da Caixa é que seu lucro líquido em 2009 fique abaixo de 2 bilhões de reais, ante 3,9 bilhões de reais do ano passado. Além disso, o banco prevê que o ROE se estabilize na faixa de 15 por cento a 17 por cento.

Para os executivos, os números do primeiro semestre estão dentro do esperado e não comprometem a capacidade do banco de continuar expandindo sua carteira, que cresceu o triplo da média do sistema financeiro nacional no período.

"Nossas taxas são perfeitamente sustentáveis", disse Maria Fernanda.

Um dos argumentos usados para sustentar esse argumento é a baixa taxa de inadimplência da carteira. Em junho, o saldo de operações vencidas com mais de 90 dias era de 3,9 por cento, ante 4,5 por cento um ano antes.

A expectativa do banco é de que esses níveis se estabilizem na segunda metade do ano. De todo modo, a Caixa elevou em 45,2 por cento suas provisões para perdas esperadas com créditos de má qualidade, chegando em junho a 7,9 bilhões de reais.

(Reportagem de Aluísio Alves)

Mais conteúdo sobre:
BANCOSCAIXA*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.