Cálculo do salário dos professores paulistas depende de critérios

Segundo especialistas, o governo precisa divulgar todos os pontos que serão levados em conta na nova política salarial

Ocimara Balmant, Especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

17 Junho 2011 | 00h00

Não é possível fazer uma avaliação técnica do projeto de política salarial dos professores enviado pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) para o Legislativo enquanto não forem divulgados quais serão os outros critérios a serem utilizados para medir a valorização pelo mérito, dizem os especialistas.

Hoje, pelo critério da avaliação por mérito, instituído na gestão do governador José Serra (PSDB), são bonificados os 20% dos professores com a melhor classificação em uma prova. Na proposta encaminhada ao Legislativo, receberão aumento todos os que atingirem determinadas metas de avaliação, que inclui a prova e outros fatores que ainda serão estabelecidos.

"Podemos dar um voto de confiança, mas faltam detalhes", afirma Denis Mizne, presidente da Fundação Lemann. "Quais são os outros fatores? O importante é que não se transforme o que era bônus em aumento por causa do tempo de casa. Meritocracia tem a ver, em última análise, com o aprendizado do aluno. E ele aprende se o professor não falta, se tem didática, se domina o conteúdo. Isso é o que deve ser mensurado."

Mizne também pondera sobre o fato de os reajustes estarem atrelados à formação em cursos de pós-graduação stricto sensu. "Estão estimulando o professor a ter mestrado e doutorado. Mas deveriam estimulá-lo a participar de cursos que ensinam ele a dar aulas. Tem gente com mestrado e doutorado que não sabe dar aula, não tem didática. O Brasil tem a cultura do título, mas se esquece do conteúdo."

Para Ocimar Alarvarse, professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), o projeto acerta quando amplia os professores com direito à bonificação. "Retirar a trava é bom, porque antes se fixava um patamar que acabava excluindo muitos que tinham um bom desempenho."

Por outro lado, o educador afirma que a própria trajetória de implantação da meritocracia, com um histórico de conflitos entre professores e governo, exige que o trabalho seja apresentado com mais precisão.

"Em primeiro lugar, como será essa prova? Vai bonificar mais gente, mas qual será a matriz de avaliação? Se a prova é fácil, cinco é uma nota baixa. Mas se é difícil, pode ser alta demais", argumenta o educador, que enumera outros entraves que devem ser levados em conta.

"Com uma rede do tamanho da que tem o Estado de São Paulo, com mais de 5 mil escolas, é muito complicado avaliar desempenho individual dos professores em sala de aula, por exemplo", afirma.

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