Calor mata no mundo; anos mais quentes ocorreram desde 98

As temperaturas recorde registradas no Hemisfério Norte durante o verão deste ano deixam vítimas: pelo menos 40 mortes foram anotadas só na França, e 50 outras, nos Estados Unidos. Esses não são, no entanto, os únicos países a registrar perda de vidas para o calor: Holanda, Espanha e Alemanha já reportaram mortes. Segundo as autoridades holandesas, o total de falecimentos no país, na primeira semana do mês, ficou em 200 pessoas acima da média esperada. No período, os termômetros atingiram 35º C. Supõe-se que várias das mortes estejam relacionadas à temperatura.Segundo a Administração Nacional de Oceano e Atmosfera (NOAA), dos EUA, os primeiros seis meses de 2006 foram os mais quentes já anotados em território americano desde o início dos registros nacionais, em 1895. O Reino Unido experimentou a temperatura mais alta já registrada em um mês de julho para o país. A localidade de Wisley, no condado de Surrey, registrou 36,5º C no dia 19. Antes, o recorde era da cidade de Epson, também em Surrey, com 36º C, em 1911.O ano mais quente já registrado no mundo foi 2005, com uma temperatura global média 14,6º C. Os cinco anos mais quentes já registrados, desde que a média mundial passou a ser computada, em 1880, ocorreram, todos, desde 1998: foram o próprio 98, além de 2001, 2002, 2003 e 2005. A temperatura média global em 1905 era 13,78º C, ou quase um grau inferior à de 2005.Embora a perda de vidas humanas seja o efeito mais trágico do calor, a temperatura também traz outros problemas, como escassez de energia, com o consumo batendo recordes, por exemplo, do Estado da Califórnia (EUA). Em Nova York, a situação parece ter começado a voltar ao normal nesta terça-feira, após nove dias de blecaute parcial. Servidores de internet também sucumbem ao calor, o que levou a instabilidades no site de comunidades MySpace, que ficou fora do ar no início da semana.Aquecimento globalNão existe consenso científico que permita atribuir a atual onda de calor ao aquecimento global causado pela atividade humana - principalmente, pela emissão de gases produzidos pela queima de combustíveis fósseis - mas não parece mais haver dúvida de que o clima da Terra está sendo afetado pelo comportamento humano. Relatório divulgado em maio, por um grupo de pesquisa federal americano, conclui que "os padrões de mudança (climática) observados ao longo dos últimos 50 anos não podem ser explicados por processos naturais apenas, nem pelos efeitos de constituintes atmosféricos de pequena duração, como aerossóis ou ozônio".Mais recentemente, cientistas de diversas partes do mundo ligaram o aquecimento global à intensificação dos incêndios de verão em florestas na Rússia, Canadá, EUA e Austrália. Nos caso específico dos Estados Unidos, as temperaturas mais elevadas provocaram um derretimento precoce da neve nas montanhas e, conseqüentemente, um verão mais seco, gerando um fator determinante dos grandes incêndios que vêm atingindo o oeste americano nos meses de verão, já há três décadas.Vários outros ecossistemas são afetados pelo aquecimento. Os recifes de coral, por exemplo, sofrem "embranquecimento" - a morte das algas simbióticas que dão cor às comunidades de corais, provocada pela elevação da temperatura do oceano - e enfraquecem por conta do aumento da acidez dos mares, causada pela maior concentração de CO2 na água. O CO2 é o principal gás responsável pelo aquecimento global, e é emitido em grandes quantidades pela queima de combustíveis.

Agencia Estado,

26 de julho de 2006 | 19h48

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