Cameron pede ações na zona do euro e defende cortes britânicos

A Europa deve urgentemente acertar o seu sistema bancário e gerenciar suas dívidas, disse o primeiro-ministro britânico, David Cameron, no domingo. Ele advertiu que a crise da zona do euro pode prejudicar a recuperação da economia da Grã-Bretanha e o crescimento global.

MATT FALLOON E KEITH WEIR, REUTERS

02 de outubro de 2011 | 11h21

Em seu discurso na abertura da conferência anual do Partido Conservador, Cameron disse que iria manter os planos de sua coalizão para a redução do déficit, apesar dos sinais de estagnação da economia britânica.

Ele também sustentou que a Grã-Bretanha deve continuar como parte da União Europeia, decepcionando a direita do seu partido, que vê a crise continental como uma oportunidade para um fim abrupto às quatro décadas de integração com os parceiros da europeus.

Uma crise econômica prolongada no resto da Europa, o principal mercado de exportação do Reino Unido, vai prejudicar o país. O governo tenta reequilibrar sua economia por meio do aumento da venda de bens britânicos e serviços no exterior.

"A zona euro é uma ameaça não apenas para si, mas também é uma ameaça para a economia britânica e uma ameaça à economia mundial", disse Cameron.

"É preciso tomar decisões nas próximas semanas para fortalecer os bancos da Europa, para construir as defesas que a zona euro precisam, para lidar com os problemas da dívida. Eles têm que fazer isso agora. Eles têm que chegar à frente dos mercados agora", declarou o primeiro-ministro britânico.

O governo de coalizão Conservador-Liberal Democrata, no poder desde maio de 2010, está cada vez mais preocupado com a falta de crescimento na economia britânica. Críticos do governo dizem que o seu plano de austeridade só está piorando a economia.

Milhares de pessoas protestaram diante do local da conferência, no norte da cidade de Manchester, contra cortes profundos nos gastos públicos que levam à perda de mais de 300.000 postos de trabalho.

A coligação argumenta que lidar com as dívidas da Grã-Bretanha decisivamente é o único caminho para restaurar crescimento a longo prazo e a estabilidade, e também para manter os mercados financeiros a salvo.

"Você não pode subitamente rasgar seus planos de empréstimo e dívida, pois são esses planos que nos garantem as baixas taxas de juros, que são absolutamente fundamentais para a recuperação econômica", disse Cameron. O premiê afirmou que tudo deve ser feito para colocar "fogo nos motores da economia britânica". Ele revelou os planos para colocar terras públicas à disposição para o programa "Construa Agora, Pague Depois" para empreendimentos imobiliários, que segundo ele vão significar 100 mil casas construídas e 200 mil empregos criados.

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