Caminhoneiros italianos bloqueiam estradas contra reformas

Caminhoneiros bloquearam estradas por toda a Itália e taxistas retomaram uma greve nesta segunda-feira à medida que a oposição se insurge contra o aumento de impostos nos combustíveis e reformas econômicas que objetivam aumentar a competitividade em setores protegidos, como transportes e farmácias.

JAMES MACKENZIE, REUTERS

23 de janeiro de 2012 | 10h31

Estradas e rodovias de Gioia Tauro, no sul da Calábria, até Turim, no norte, foram afetadas pelos caminhoneiros, que ampliaram a manifestação contra o aumento dos combustíveis, a qual causou grandes interrupções nos serviços na Sicília na semana passada.

Falando à rádio estatal da RAI, a ministra do Interior, Annamaria Cancellieri, disse que as autoridades estão acompanhando os protestos "atentamente".

"Não podemos descartar a possibilidade de que este descontentamento leve a protestos de outro tipo", disse ela, aparentemente preocupada que a situação saia do controle.

Os protestos evidenciam a oposição crescente aos planos do primeiro-ministro Mario Monti de desregulamentar setores privilegiados da economia italiana para aumentar a competitividade e criar mais empregos.

As medidas chegam na esteira de cortes severos de gastos e elevação de tributos aprovados no Parlamento em dezembro, incluindo um aumento dos impostos de combustíveis que acrescentou 8,2 centavos ao preço do litro da gasolina, agora em cerca de 1,76 euro o litro, e 11,2 centavos ao litro do diesel, atualmente em 1,71 euro o litro.

Na sexta-feira o gabinete assinou um pacote de medidas que afetará setores que vão das farmácias aos bancos, de taxistas a postos de combustível.

As medidas, que ainda podem ser alteradas e precisam ser aprovadas no Parlamento, receberam a oposição acirrada de muitos grupos afetados e vêm desencadeando uma oposição crescente dos partidos políticos dos quais Monti depende para ter apoio.

Tratando de outra etapa do programa do governo, os ministros devem se reunir com sindicatos nesta segunda-feira para continuar as discussões sobre a reforma dos contratos de trabalho, aos quais se atribui o desinteresse das empresas em oferecer contratos de período integral a novos trabalhadores.

O tema está entre os mais delicados para Monti, que prometeu revisar um sistema acusado de oferecer enormes garantias a algumas categorias enquanto condena um contingente crescente de trabalhadores, na maioria jovens, a contratos precários de trabalhos temporários com pouca proteção.

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