Campanha de Aécio diz na TV que PT aposta no medo para ganhar eleições

A campanha do candidato à Presidência pelo PSDB, Aécio Neves, utilizou seu programa eleitoral na TV na tarde desta terça-feira para acusar o PT, da presidente Dilma Rousseff, de apostar no medo para ganhar as eleições.

REUTERS

14 de outubro de 2014 | 14h52

Trecho do programa eleitoral obrigatório exibiu encenação na qual uma eleitora de aparência simples é bombardeada por frases contra Aécio e o PSDB.

"Eles só pensam nos ricos", diz um rapaz ao ouvido da eleitora. "Eles vão acabar com os programas sociais", afirma uma mulher. "Não vote no Aécio, não vote no Aécio", diz outro ator.

"É assim que o PT quer amedrontar você. Com fofocas e boatos. Mentiras. Mas na verdade quem tem medo são eles. Medo de perder a eleição, o poder, os privilégios. Medo que se investigue a corrupção da Petrobras. Ou as obras superfaturadas", diz a atriz que interpreta a eleitora, olhando diretamente para a câmera.

Uma estratégia voltada a criar medo entre os eleitores foi utilizada neste ano pela primeira vez pelo PT em inserções no primeiro semestre, com o argumento de que o Brasil não quer "voltar atrás". Na propaganda, eram exibidas várias situações de pessoas ou famílias em boa situação tendo uma visão do passado, quando estavam muito piores materialmente.

Essa estratégia, porém, não é exclusiva do PT. Um dos casos mais famosos foi usado pelo PSDB, quando, em 2002, na primeira eleição vencida por Luiz Inácio Lula da Silva, a atriz Regina Duarte dizia ter medo de o Brasil perder a estabilidade econômica em caso de vitória do petista.

Nesta tarde, a campanha tucana também utilizou o horário eleitoral para afirmar que o PT aposta na confusão ao dizer que o Estado de Minas Gerais, governado duas vezes por Aécio, não paga o piso a professores, quando, segundo o programa do PSDB, o piso mineiro está em consonânica com os parâmetros nacionais.

O programa também voltou a exibir trechos de encontro do presidenciável com lideranças sindicais em que se compromete com pautas como a revisão do Fator Previdenciário, o reajuste da tabela do Imposto de Renda pela inflação e ainda promete "tolerância zero" com a inflação.

Já o programa de Dilma repetiu um trecho veiculado na noite da segunda-feira, com um áudio de Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central e já anunciado por Aécio como seu ministro da Fazenda se for eleito. Fraga defende que os bancos públicos sejam administrados com "padrões muito mais rígidos".

"Provavelmente vai chegar um ponto em que vai ficar claro, até, que talvez eles (os bancos públicos) não tenham tantas funções", disse Fraga, na gravação. "Não sei muito bem o que vai sobrar no final da linha, talvez não muito."

O programa apresentou também declaração de Dilma em defesa da atuação desses bancos e sua importância para programas como o Minha Casa, Minha Vida e o financiamento estudantil.

(Reportagem de Maria Carolina Marcello)

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