Campanha de Dilma busca tirar da Internet vídeo falso de Lula apoiando Marina

A campanha da presidente Dilma Rousseff à reeleição entrou com pedido administrativo nesta quinta-feira para que o Google retire do site Youtube um vídeo falso que mostraria o ex-presidente Lula apoiando a candidatura de Marina Silva (PSB) ao Planalto.

REUTERS

28 Agosto 2014 | 18h53

Em nota, a coligação encabeçada por Marina criticou a divulgação do vídeo editado e informou que também pedirá ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Ministério Público uma investigação sobre a autoria do vídeo.

O vídeo original mostra Lula apoiando a candidatura da petista Marina Sant'Anna a uma vaga no Senado por Goiás. No vídeo adulterado, em que aparecem os nomes de Marina e do candidato a vice pelo PSB, Beto Albuquerque, Lula diz que conhece Marina há mais de 30 anos e que ela é a candidata mais preparada para ajudar a combater as desigualdades sociais.

O site tem 24 horas para responder ao pedido feito pela campanha. Segundo o presidente do PT, Rui Falcão, a campanha de Dilma vai entrar com representação junto ao Ministério Público eleitoral para apurar a fraude e, eventualmente, instaurar uma ação civil para que os responsáveis sejam punidos. O PT também entrará no TSE para que o tribunal investigue a fraude.

Procurado, o Google respondeu à Reuters, por meio da assessoria de imprensa, não ter recebido "nenhuma ordem judicial a respeito do tema".

"Se o partido fez uma notificação por meio da ferramenta de denúncia do YouTube, o que é o procedimento correto, a mesma deve estar sob análise. Se for detectada alguma violação das políticas do produto, o vídeo pode ser removido."

ESTRATÉGIAS

O presidente do PT, que convocou a entrevista coletiva em Brasília para falar das questões jurídicas a serem adotadas, disse ainda que as estratégias de campanha de Dilma seguem focadas no primeiro turno.

"Se houver segundo turno, nós vamos ver como que é a campanha no segundo turno... Vamos cuidar agora do primeiro turno, o segundo, quando ele chegar, pode haver mudança de tática", declarou Falcão, acrescentando que o avanço de Marina nas pesquisas deve preocupar mais a Aécio Neves, candidato do PSDB à Presidência. Na terça-feira, pesquisa Ibope mostrou que Marina venceria Dilma em um eventual segundo turno e trouxe a ex-ministra em segundo lugar com 10 pontos de vantagem sobre Aécio Neves (PSDB)no primeiro turno, com Dilma ainda na primeira posição.[nL1N0QX0KN]

Falcão afirmou ainda sempre ter dito que o segundo turno era uma possibilidade e que o recente dado do Ibope "confirma" isso.

Ao ser questionado sobre uma maior presença de Dilma nas ruas, uma reivindicação de segmentos do PT e de aliados, Falcão afirmou que é "normal" que ela faça menos campanha de rua em comparação a outros candidatos, já que seu nome é mais difundido no país por estar no cargo de presidente.

"A presidente Dilma é presidente da República. É importante que demos conta disso... que é fundamental que parte decisiva do tempo dela seja cuidar das questões do país", completou Falcão.

(Reportagem de Nestor Rabello, com reportagem adicional de Anthony Boadle)

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