Campanha de Dilma vai explorar 'mapa vermelho' do Nordeste

A campanha de reeleição da presidente Dilma Rousseff vai explorar o "mapa vermelho" do Nordeste para ampliar a vantagem obtida no primeiro turno com foco no eleitorado da região onde o adversário, Aécio Neves (PSDB), tem pouca expressão.

JEFERSON RIBEIRO, REUTERS

07 de outubro de 2014 | 16h11

Dilma dará início às atividades de campanha na região e na quarta-feira viajará para Bahia e Piauí.

Na votação de domingo, Dilma teve 41,6 por cento dos votos válidos, ou quase 43,3 milhões, enquanto Aécio ficou com 33,6 por cento, o equivalente a 34,9 milhões. No Nordeste, a presidente venceu por ampla margem de votos em todos os Estados à exceção de Pernambuco, que teve a candidata do PSB à Presidência, Marina Silva, em primeiro lugar.

"Nós queremos ampliar nossa vitória explorando o mapa vermelho", disse à Reuters um membro do governo, sob condição de anonimato, nesta terça-feira.

A aposta no Nordeste ainda se justifica porque a região é amplamente beneficiada pelos programas sociais do governo, mantém ritmo de crescimento econômico acima da média nacional, além de o candidato do PSDB não ter obtido uma boa votação, já que o eleitorado é majoritariamente petista.

Nessa investida no Nordeste, a campanha acredita que é possível obter pelo menos mais 3 milhões de votos para Dilma. Apesar de ser necessário conseguir ao menos 9 milhões de votos a mais no total, a fonte não especificou onde e como a petista buscaria o restante que precisa para vencer.

Na Bahia, Dilma recebeu 60,6 por cento dos votos válidos no domingo. Em 2010, a petista teve 62,6 por cento dos votos válidos no Estado, o que demonstra que ela tem condições de ampliar essa vantagem.

No Piauí, entretanto, a presidente já teve uma votação mais expressiva nessa eleição do que em 2010. Dessa vez, ela teve 70,8 por cento dos votos válidos, contra 67 por cento da última eleição.

Nos dois Estados em que ela dará o pontapé da estratégia do segundo turno, os candidatos do PT ao governo foram eleitos no primeiro turno: Rui Costa, na Bahia, e Wellington Dias, no Piauí.

Apesar de no Nordeste haver "um antitucanismo que pode ser explorado", segundo a fonte, há lugares que a campanha petista considera complicados, como Pernambuco, Estado de Eduardo Campos, que foi substituído por Marina na liderança da chapa do PSB após morrer em um acidente aéreo.

Lá, Dilma perdeu para Marina por pouco mais de 180 mil votos, mas a herança expressiva de 2,3 milhões de votos da candidata do PSB, derrotada no primeiro turno, está em disputa agora.

A grande votação de Marina vincula-se certamente à comoção provocada pela morte de Campos. Nesse caso, os petistas acreditam que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, também pernambucano, pode virar a maioria desses votos para Dilma. Há, contudo, um indicativo de que isso não será tão fácil, uma vez que o PT não conseguiu eleger nenhum deputado no Estado.

"Em Pernambuco a situação é delicada", disse a fonte, acrescentando que Lula vai tentar ampliar a votação de Dilma no Estado, mas não há uma estratégia clara ainda.

No dia seguinte à votação, a presidente já afirmara que começaria as atividades de campanha na rua no Nordeste. Depois, disse que seguiria para o Sul do país e para Minas Gerais e São Paulo na sequência.

Em São Paulo, Aécio obteve 44,2 por cento dos votos válidos, ou quase 10,2 milhões. Dilma ficou com 25,8 por cento (5,9 milhões) e Marina com 25,1 por cento (5,8 milhões).

Por outro lado, ele perdeu em Minas Gerais, que duas vezes o elegeu governador no primeiro turno. Dilma teve 43,5 por cento dos votos válidos (4,8 milhões) e o tucano somou 39,8 por cento (4,4 milhões). Marina alcançou 14 por cento (1,6 milhão).

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