Filipe Araújo/AE
Filipe Araújo/AE

Cana ainda ocupa áreas urbanas

No município de Campinas (SP), por vezes é difícil distinguir onde começa ou termina a zona rural

Rose Mary de Souza, O Estado de S.Paulo

08 Julho 2009 | 03h38

Quem circula nos arredores da Unicamp, em Campinas (SP), depara-se inevitavelmente com um extenso canavial. Uma nova via de acesso à universidade, a partir da Rodovia Dom Pedro I, que será inaugurada nos próximos meses, foi construída em área antes ocupada pela cana-de-açúcar. As residências erguidas de dez anos para cá no bairro na entrada da Unicamp também tomaram o lugar da cana.

A menos de 5 quilômetros dali há mais canaviais, plantados entre o câmpus da Pontifícia Universidade Católica (PUCCamp), a Rodovia Adhemar de Barros e a Estação de Tratamento de Esgoto da Sanasa, além das moradias do Parque Imperador e condomínios residenciais. Em algumas regiões de Campinas é difícil distinguir onde termina a zona rural e começa a urbana. Terrenos são usados para a agricultura, ao lado de espaços absolutamente urbanos. A cana convive lado a lado com shopping centers, como o Galleria. A região de Campinas tem 10.492 unidades agrícolas, onde a cana ocupa 30.414 hectares. Só no município de Campinas são 2.318 hectares de cana.

 

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O Levantamento Censitário das Unidades de Produção Agropecuária do Estado de São Paulo (Lupa) 2007/2008, elaborado pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado, aponta isso. O plantio de cana, presente em praticamente todo o interior paulista, ainda ocupa áreas próximas e até dentro de centros urbanos, sobretudo em municípios que registraram rápida expansão imobiliária. Condomínios residenciais dominaram as áreas de antigas fazendas agrícolas.

O agrônomo Antônio Torres, da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), um dos colaboradores do Lupa 2007/2008, diz que, embora a agricultura no entorno de centros urbanos seja cada vez menor, no caso da cana, "os produtores sentiram-se estimulados a continuar por causa da instalação de novas usinas e pelo aumento do consumo de etanol, puxado pela expansão da frota de veículos flex fuel", diz. "Além disso, houve a recuperação dos preços internacionais do açúcar", continua. "Assim, os produtores não desprezaram nenhum pedaço de terra disponível." Entretanto, Torres salienta que a tendência é a de que áreas menores do entorno de cidades sejam trocadas por regiões mais distantes e menos populosas, nas quais a movimentação de máquinas agrícolas e treminhões não incomode a vizinhança.

PREÇO DA TERRA

Outra questão que leva para longe os canaviais é o preço da terra, que, próxima a centros urbanos, está supervalorizada. Por isso, quem tem a terra prefere vendê-la e mudar o cultivo para algum lugar mais barato. Outro fator que deve expulsar os remanescentes de canaviais da área urbana de Campinas é a proibição, até 2014, da queima da palha de cana-de-açúcar para colheita. No Estado de São Paulo, além disso, desde 22 de junho, está proibida a queima da palha entre as 6 e as 20 horas.

Para Sérgio Torquato, pesquisador do Instituto de Economia Agrícola (IEA-Apta), a cana-de-açúcar na região de Campinas - não necessariamente no município de Campinas - tem forte destaque econômico em algumas cidades como São João Boa Vista, Santa Barbara d?Oeste, Cosmópolis, Limeira, Piracicaba, Capivari e Itapira. Em pelo menos três delas há uma usina instalada. "A cana não pode ser estocada. Depois de colhida precisa ser moída em 24 horas. Por isso, a usina está em um raio de 30 quilômetros do canavial."

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