Dida Sampaio/AE
Dida Sampaio/AE

Cana mais produtiva com adubação intensiva

Aplicação de micronutrientes como zinco, cobre, manganês, molibdênio e boro eleva produtividade

Fernanda Yoneya, O Estado de S.Paulo

15 Julho 2009 | 03h35

Conduzida no Centro de Solos e Recursos Ambientais do Instituto Agronômico (IAC-Apta), em Campinas (SP), uma pesquisa sobre a adubação de cana-de-açúcar com micronutrientes deve ajudar a elevar a produtividade da cultura no País e a melhorar a eficiência do sistema agroindustrial. Segundo o pesquisador Estêvão Vicari Mellis, a produtividade média obtida hoje - 80 toneladas/hectare - é baixa e pode ser melhorada. "Um dos fatores que contribuem para essa produtividade é a expansão da cultura para áreas com solos pouco férteis, que exigem manejo intensivo", afirma.

A pesquisa avalia a resposta da cultura à adubação com boro, cobre, manganês, molibdênio e zinco, em solos paulistas de baixa fertilidade. De 2006 a 2008, 15 ensaios com variedades tardias de cana foram instalados. Por hectare, foram aplicados 10 quilos de zinco, 10 quilos de manganês, 10 quilos de cobre, 3 quilos de boro e 2 quilos de molibdênio.

GANHOS

Na média dos resultados, independentemente do solo e da variedade cultivada, houve ganhos expressivos de produtividade. O zinco proporcionou o maior ganho, de 17%. Para o molibdênio e o manganês os ganhos médios foram de 14% e 12%, respectivamente. "Além dos ganhos na produção, a adubação com micronutrientes é vantajosa para o produtor porque pode ser feita junto com a adubação de plantio, sem custo adicional de operação."

Os experimentos são monitorados por análises de solo e de folhas, que avaliam as produções de colmos e o total de açúcar recuperável (ATR) na cana planta e na primeira soqueira. "O efeito da adubação é obtido por meio da comparação dos ensaios que receberam micronutrientes com a testemunha, que não recebeu aplicações. Já os efeitos na qualidade industrial são determinados nos laboratórios das usinas parceiras", explica Mellis.

No IAC, a pesquisa é coordenada por Mellis e pelo pesquisador José Antonio Quaggio. "O projeto Micronutrientes em cana-de-açúcar faz parte dos estudos feitos pelo Grupo Nutricana, que pesquisa fertilidade do solo, adubação e nutrição da gramínea", diz Mellis, acrescentando que um estudo como esse, que envolve um grande número de ensaios, jamais foi feito no País. "Os resultados finais da pesquisa serão obtidos no ano que vem."

Mais conteúdo sobre:
Agrícola cana adubação

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.