Cana rende menos na indústria

Apesar de colheita ser maior esta safra, alta umidade reduz [br]concentração de sacarose nos colmos

Fábio Marin, O Estado de S.Paulo

28 de outubro de 2009 | 02h54

Mais uma semana de chuva em todo o Estado. Apesar do tempo nublado, a temperatura permaneceu elevada ao longo do período, com máxima acima dos 30 graus em Piracicaba, Jaboticabal, Ribeirão Preto e Votuporanga. A mínima oscilou entre 17 e 19 graus na maioria das localidades. Os maiores volumes ocorreram em Franca, Itapeva e Presidente Prudente, com mais de 100 milímetros acumulados na semana, causando excedente hídrico e erosão nas áreas íngremes e cultivadas sem sistematização e sem plantio direto.

ALTA UMIDADE

A umidade do solo continua elevada em todo o Estado, com média de 92% da capacidade máxima de retenção, enquanto no ano passado a reserva hídrica do solo estava em torno de 30%. A manutenção da umidade nos níveis atuais, além de não permitir a retomada da colheita da cana com alta eficiência por causa do excesso de água no solo e da chuva, também reduz a concentração de açúcar nos canaviais, baixando o rendimento industrial.

Outro aspecto que tem contribuído para reduzir esse rendimento, nas áreas com colheita mecânica, é a maior quantidade de palha carregada juntamente com os colmos para a usina, tornando menos eficiente a extração de açúcar.

Assim, apesar de o volume colhido na safra atual estar acima do processado no ano passado, a produção de açúcar e etanol é relativamente menor.

O excesso de água no solo dificulta a semeadura do milho, amendoim, feijão e soja por causa da dificuldade para o tráfego das máquinas e do risco de compactação do solo. Neste momento, a preocupação dos produtores é que a chuva atrase o início da safra de verão, com efeitos sobre a safrinha de milho e sorgo no próximo ano, semeada após a colheita das lavouras de verão.

A semeadura é recomendada quando a umidade cai em torno de 80% da capacidade máxima de armazenamento e, nesta condição, é importante que os agricultores planejem a semeadura de modo a garantir a formação de população adequada e estabelecimento vigoroso. A regularidade da chuva favorece as lavouras perenes em fase de desenvolvimento vegetativo e formação da produção, como os cafezais, pomares de laranja, lavouras de mandioca e seringais, bem como as anuais já semeadas.

* Fábio Marin é pesquisador da Embrapa Informática Agropecuária. Para mais informações, acesse www.agritempo.gov.br

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