Canções e memórias de um caipira bem brejeiro

Oswaldinho e Marisa Viana celebram o centenário de Elpídio dos Santos com álbum de inspiração interiorana, que reúne clássicos e composições inéditas

Lauro Lisboa Garcia, O Estadao de S.Paulo

23 Setembro 2009 | 00h00

Um painel com imagens de fachadas das coloridas casas de São Luiz do Paraitinga, além de fotos de outros marcos da cidade e detalhes de objetos característicos, ilustra o bonito material gráfico do CD Viva Elpídio! (Carambola Discos), que Oswaldinho e Marisa Viana fizeram para celebrar o centenário de nascimento do compositor. Reunindo clássicos e composições inéditas, o álbum é mais uma justa homenagem à memória de Elpídio dos Santos (1909-1970), que está bem preservada em cada canto da cidade do interior paulista, onde nasceu e fez história.

Ouça Balanço da Rede

No sábado, às 16 horas, a dupla interpreta ao vivo as canções do CD, no Coretinho, dentro da 3ª Semana da Canção Brasileira. Mais um bom motivo para visitar São Luiz no fim de semana. Foi nessa cidade, famosa pela tradição musical, que Oswaldinho e Marisa não só vieram registrar imagens e pesquisar a vida e o acervo de cerca de mil canções de Elpídio, mas também buscar inspiração na mesma paisagem que serviu de cenário para suas letras brejeiras, poéticas e imagéticas.

O texto do encarte do CD, boa parte resultado de muita conversa com os familiares de Elpídio, presta um serviço a mais, traçando um breve perfil do compositor, falando de suas canções mais conhecidas, citando os vários intérpretes que as gravaram. Lembra da parceria com Mazzaropi, para quem Elpídio compôs diversos temas de filmes, de outros traços de sua personalidade como artista e da vida pessoal. Ele também foi professor, mágico e escultor.

Teve a primeira música gravada em 1952 (A Cruz de Ferro, pela dupla Souza e Monteiro). O primeiro sucesso veio dois anos depois, A Velha História, pelas Irmãs Galvão, no mesmo ano em que José Tobias lançou sua canção mais conhecida: Você Vai Gostar (Casinha Branca).

Oswaldinho e Marisa procuraram mostrar os vários aspectos da composição de Elpídio, não só das singelas toadas caipiras (A Dor da Saudade, Rede de Taboa, Lua na Roça), mas abordando também temas bem-humorados em ritmo de marcha, dobrado, samba (como Filé Minhão, Figa de Guiné, Passeio ao Rio, três das seis inéditas, e Carnaval em Madri). Uma das inéditas mais graciosas é Balanço da Rede. "Dos compositores ditos caipiras, a meu ver Elpídio é o mais eclético", diz Oswaldinho. "A intenção era mostrar Elpídio para o mundo musical, que a maioria não conhece."

Parte dessas canções, lembra Oswaldinho, chegou até ele na época em que conheceu os integrantes do grupo Paranga, o diferencial regional da turma do Lira Paulistana, formado por músicos de Paraitinga, incluído filhos de Elpídio, como Negão. "Era um sonho antigo fazer um projeto com músicas dele. Não sabia que tinha tanta coisa inédita", diz Oswaldinho. "Negão abriu as possibilidades pra gente. Procurei fazer os arranjos das músicas inéditas de acordo com as gravações caseiras que ele me mostrou."

O novo projeto de Oswaldinho e Marisa é um álbum dedicado a outro ícone da música caipira, João Pacífico, e inclui uma raridade dele em parceria com Elpídio, Parceiro da Minha Dor.

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