Candidata dá à luz antes da prova

Pamela disse não saber que estava grávida

JOÃO NAVES DE OLIVEIRA, O Estado de S.Paulo

05 de novembro de 2012 | 02h06

Uma estudante de 17 anos deu à luz um menino no banheiro da escola, pouco antes do início da prova de ontem, em Sidrolândia, a 170 quilômetros de Campo Grande.

O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, ligou para a garota e disse que ela terá nova chance de fazer o exame, que será aplicado em 4 e 5 de dezembro em presídios e unidades socioeducativas, como as da Fundação Casa, em São Paulo. Mercadante também disse que o menino, que se chamará Everton, é "o símbolo do Enem".

Ex-sem-terra, Pamela Lescano mora com os pais no Projeto de Assentamento Eldorado, em Sidrolândia. Segundo alunas que estavam perto do sanitário, a garota pediu ajuda só quando sentiu que o parto estava próximo. Elas chamaram uma técnica em enfermagem que estava trabalhando na escola, mas a criança já havia nascido. A profissional enrolou o bebê em um lençol e aguardou a chegada do Samu.

Parturiente e recém-nascido foram levados para o Hospital Municipal de Sidrolândia. Uma pessoa da equipe de funcionários do hospital disse que "o menino é lindo e nasceu muito saudável. A mãe passa bem".

Parentes disseram que nem Pamela nem a família sabiam da gravidez. "Eu não sabia que estava grávida. Não senti nenhum sintoma da gestação até hoje. Ontem, no primeiro dia de provas, não senti nada. Hoje, tive uma cólica forte e corri ao banheiro. Nasceu meu filho."

A garota quer ser veterinária ou jornalista. Antes de receber a ligação do ministro, confessou estar com "muito medo" de não poder realizar a prova nunca mais. "Vai ficar difícil esperar até a próxima."

A mãe, Leide, contou que viveu com a filha e o marido por dois anos acampados em barraca de lona plástica em Nova Alvorada do Sul, vizinha de Sidrolândia. A família foi assentada em 2006 pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) no grupo Alambari, uma das divisões do assentamento habitado por famílias de vários movimentos, no lote 52, onde produz arroz, feijão e principalmente leite.

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