Candidato favorito em Honduras quer ajuda do Brasil contra crise

O candidato conservador Porfírio Lobo, favorito na eleição presidencial de domingo em Honduras, disse nesta sexta-feira que, se eleito, pretende bater na porta do Brasil e até do rei da Espanha para tentar restabelecer as relações internacionais de seu país, abaladas pelo golpe militar de junho.

REUTERS

27 de novembro de 2009 | 18h28

Lobo, candidato do Partido Nacional e derrotado na eleição de 2005 pelo agora presidente deposto Manuel Zelaya, pediu aos países que condenaram as eleições de domingo que reconsiderem sua posição. O Brasil e outros países decidiram não reconhecer a eleição por ser organizada por um governo golpista.

"Estaremos batendo à porta do presidente Lula e de todos para restabelecer canais de amizade com todas as nações", disse o candidato de 61 anos em uma entrevista à imprensa estrangeira, na qual disse ser admirador do governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

As eleições em Honduras dividiram a comunidade internacional. Muitos consideram que o pleito pode ser a solução para a crise institucional dos últimos meses em Honduras, mas outros dizem que a consulta é ilegítima.

Zelaya, abrigado desde setembro na embaixada do Brasil em Tegucigalpa, conclama seus seguidores a boicotarem as eleições.

A Europa adotou uma posição dura conta o golpe, inclusive cancelando parte da ajuda a Honduras. "Se tenho de bater na porta do rei (da Espanha, o farei) de imediato", disse Lobo, um pecuarista que em nenhum momento apostou na restituição de Zelaya para completar seu mandato, como defendem Brasil e outros países.

Lobo e seu principal rival, Elvin Santos, do Partido Liberal (o mesmo de Zelaya), dizem que a decisão sobre a volta do presidente deposto deveria ser tomada pelo Congresso, que votará essa questão em 2 de dezembro.

O candidato conservador sugeriu que poderia manter boas relações inclusive com Hugo Chávez, presidente da Venezuela, cuja proximidade com Zelaya foi um dos fatores determinantes no golpe. Ressaltou, porém, que não aceitará "nenhum tipo de imposição."

Zelaya irritou a elite do seu país --inclusive alguns de seus partidários-- com a guinada à esquerda que realizou na metade do seu mandato e com a tentativa de reformar a Constituição para disputar a reeleição, algo em que seus adversários viram uma influência de Chávez.

(Reportagem de Anahí Rama)

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