Candidatos culpam governos por situação

Dilma Rousseff reconheceu que o governo atual só começou a investir na área em 2008; José Serra prometeu isenção fiscal para empresas da área

BRUNO BOGHOSSIAN, ENVIADO ESPECIAL. COLABORARAM ALFREDO JUNQUEIRA, PEDRO DANTAS e LIÈGE ALBUQUERQUE, O Estado de S.Paulo

21 de agosto de 2010 | 00h00

Os três candidatos à Presidência de República com a maior parte das intenções de voto comentaram ontem os dados divulgados pelo IBGE.

A candidata do PT, Dilma Rousseff, atribuiu o avanço tímido do saneamento básico no Brasil à falta de investimentos de governos anteriores, mas reconheceu que o governo atual só iniciou um programa de desenvolvimento no setor a partir de 2008. Para a ex-ministra, os resultados das ações federais só poderão ser comprovados com pesquisas que levem em conta os últimos dois anos.

"Começamos as obras do Programa de Aceleração do Crescimento na área de esgoto em 2008, porque levamos todo o ano de 2007 selecionando projetos. Eu gostaria de ver o número fechado para 2009 e 2010, porque eu tenho certeza de que haverá ampliação do tratamento de esgoto", afirmou a candidata em Vitória (ES).

No Rio, Marina Silva (PV) criticou tanto a política do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso quanto a do presidente Lula - de quem foi ministra do Meio Ambiente por mais de cinco anos. "Temos um déficit no que concerne ao saneamento básico. No governo anterior, houve bem menos investimento. Quase nenhum. Nesse governo, retomou-se algum investimento, mas muito aquém da necessidade do País", afirmou Marina, que, apesar de empunhar os investimentos em saneamento básico como uma de suas bandeiras principais, resistiu a comentar os dados da pesquisa, alegando que não teve tempo para analisá-la. Para ela, o Brasil precisará de dez anos para levar o saneamento a todos os municípios.

Na palestra que realizou em Manaus (AM), o candidato do PSDB, José Serra, afirmou que o governo federal havia prometido investir R$ 848 milhões em saneamento básico na Amazônia e "pouco ou nada fez nessa área". "O Amazonas é um dos Estados mais carentes nessa área: só 30% da água é tratada e só há 11% de coleta de lixo", frisou.

Ao ser questionado sobre seus planos na área para o Estado, ele disse que seu plano de governo apresenta proposta que beneficiaria empresas de saneamento de todo o País. "Vamos isentar as empresas de saneamento de tributos. Só hoje são arrecadados (por ano) R$ 2 bilhões em PIS/Cofins do sistema de saneamento, que poderiam estar sendo investidos."

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