Candidatos reclamam das notas do exame

Bastaram as notas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) serem divulgadas na internet, anteontem, para que surgissem candidatos indignados com elas. A reclamação é de incoerências entre as notas e número de acertos e a falta de transparência do modelo de correção da prova, a Teoria de Resposta ao Item (TRI).

LORENA AMAZONAS , ESPECIAL PARA ESTADÃO.EDU , PAULO SALDAÑA, O Estado de S.Paulo

23 de dezembro de 2011 | 03h07

Vestibulando de Direito e já em seu segundo ano de Enem, Lucas Richter, de 19 anos, comparou os resultados deste ano com os de 2010. "As notas de duas áreas tiveram discrepância de 200%, enquanto o número de acertos não foi tão grande. Esperava variação, mas não tão grande. Acho que deve ter um problema", diz o estudante de Piracicaba, interior de São Paulo.

Richter decidiu entrar com recurso contra a nota. Em Ciências da Natureza e Linguagens, ele teve o mesmo número de acertos, 27. A nota variou 58,3 pontos. "Não sabemos qual a dificuldade das questões, ficamos na mão do MEC."

A variação de notas que ainda intriga - e indigna - os estudantes acontece porque a TRI consegue diferenciar o que o candidato sabe ou não e também os "chutes". Exemplo: quando um candidato erra três fáceis e acerta uma difícil, a probabilidade de acaso é maior. Como as questões são divididas em dificuldades, a disposição dos acertos vai determinar a nota.

Matheus Zanatta, de 20 anos, vestibulando de Medicina, reclama das incoerências. "Eu gabaritei em matemática e ciências da natureza, mas, na nota final, obtive 900 e 790 pontos, respectivamente", diz Zanatta.

Segundo o MEC, a TRI não tem um limite inferior ou superior padrão entre as áreas de conhecimento.

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