Canonização de papas já atrai peregrinos ao Vaticano

Os peregrinos estrangeiros começaram a movimentar a Praça de São Pedro e os arredores do Vaticano nesta véspera da canonização, domingo, dos papas João XXIII e João Paulo II. O tráfego já está proibido a veículos nas ruas laterais e diagonais, onde só podem entrar pedestres. Às 19 de amanhã, sábado, as restrições serão maiores, com bloqueios nos principais acessos.

JOSÉ MARIA MAYRINK, ENVIADO ESPECIAL, Agência Estado

25 de abril de 2014 | 15h25

Bares serão proibidos de abrir as portas na área e o comércio deixará de funcionar, por iniciativa própria, por causa das dificuldades de abastecimento para servir a uma demanda muito grande. Calcula-se que perto de 5 milhões de peregrinos - mais que a população de Roma - assistirão à cerimônia de canonização, às 10 horas de domingo. Os fiéis poderão entrar na Praça de São Pedro a partir das 6 horas.

A polícia está fazendo blitz nos pequenos hotéis bed&breakfast para verificar suas condições de conforto, segurança e higiene. Milhares de peregrinos ficarão hospedados em conventos e casas de movimentos religiosos, pagando uma diária de 30 a 40 euros, com direito a café da manhã. A Prefeitura de Roma estima em 11 milhões de euros os gastos com a canonização. O Estado do Vaticano entrará com "só" 500 mil euros para pagar as despesas.

Os católicos vindos de outros países e do interior da Itália chegam de trem e em ônibus de turismo, enfrentando dois a três dias de viagem. Hospedam-se em geral nos arredores da cidade. O alojamento é mais barato, mas, em compensação, há dificuldades de acesso ao Vaticano.

Nesta tarde de sexta-feira, o agricultor polonês Wlademir Oleksy, de 52 anos, foi cercado por curiosos ao chegar à Praça de São Pedro com um cajado nas mãos e uma mochila nas costas. Ele chegou da cidade de Powroznik a pé, na fronteira da Polônia com a Eslováquia. Percorreu 1.700 quilômetros em 42 dias, dormindo em hotéis baratos, paróquias e casas de família. Em Roma vai se hospedar na Casa dos Peregrinos Poloneses.

"Estive aqui em 1º de março de 1981, dois meses e meio antes do atentado a tiros aqui nesta praça", disse Wlademir. Ao lado dele, 60 concidadãos que vieram de ônibus de Cracóvia, em dois dias de viagem, ouviam o relato de sua aventura e posavam para fotos, com bandeiras vermelhas e brancas nas mãos.

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