Cantor causa ‘perplexidade’ na Broadway

"O barítono é sólido, brilhante e ágil como a bomba de um navio e pode ser tão arrasador quanto", escreveu o crítico Jesse Green, do New York Times, ao comentar a escolha de Paulo Szot para protagonizar a remontagem de South Pacific, de Rodgers and Hammerstein. O musical estreou na Broadway em 1949, recebeu dez prêmios Tony e ficou mais de cinco anos em cartaz. A nova montagem é a primeira em Nova York e teve 11 indicações ao Tony. Segundo Green, a escolha de Szot causou perplexidade porque "embora uma estrela em ascensão da ópera, aos 38 anos era virgem na Broadway". O fato de ser um "anônimo" foi seu maior trunfo. "Combinava com o glamour ‘onde você esteve em toda a minha vida?’ do papel", disse Green. Filho de pais poloneses, Szot é paulista e, aos cinco anos, começou a estudar piano. Aos 18, recebeu uma bolsa oficial para estudar polonês em Cracóvia. Sua intenção era ser bailarino, mas se machucou e seu futuro na dança foi condenado. Por sorte, Szot soube que a Companhia Estatal de Canto Slask procurava cantores para seu coral folclórico. Ele conhecia as músicas desde a infância, pois as cantava com os pais e os irmãos durante viagens de carro. Cantou duas delas e, no dia seguinte, estava em um trem a caminho de um castelo em Koszecin, onde o grupo ensaiava. Szot trabalhou na companhia durante cinco anos e, depois, incentivado por sua professora, enveredou pela ópera. Sua estréia profissional aconteceu em 1997, como protagonista de O Barbeiro de Sevilha no Teatro Municipal de São Paulo. Desde então, já participou de mais de 60 produções em diversos países. Pretende protagonizar South Pacific até novembro e, depois, retomar a carreira de cantor lírico. Será que a Broadway vai deixar? C.V

09 Junho 2008 | 00h00

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