'Cão é espelho do dono', dizem defensores de pit bulls

O Brasil Kennel Club, representante brasileiro da Federação Internacional de Cinofilia (FCI - Fédération Cynologique Internationale), não vê sentido na proibição da raça pit bull como meio de evitar ataques e contesta a tese de que o cão é naturalmente agressivo. O presidente da associação, Domingos Setta, argumenta que os cães só agridem por causa da criação que recebem dos proprietários. "O cão é o espelho do dono", concorda Edson Vieira, criador e dono do canil Italian Cane Corso, de São Paulo."Qualquer cão mal-educado é agressivo. Se o cachorro atacou, é porque ele sofreu algum tipo de maltrato", conta o presidente do Brasil Kennel Club. Para ele, um cão de qualquer raça será agressivo caso não haja tratamento adequado. "Já vi muito poodle agressivo. Mas é claro, a mordida do poodle não machuca tanto quanto a de um pit bull." Ele concorda com a identificação dos cães e seus donos e a regulamentação da venda dos animais.Vieira atribui a culpa pela agressividade dos cães às competições de pit bulls e ao "treinamento errado" dado aos animais. Nesses torneios os cães são submetidos a competições de salto - em que têm de morder um pneu erguido a alturas acima de nove metros -, e força, em que o cachorro tem de puxar pesos de até 500 quilos. Ele diz que o treino dos cães para essas provas incitam a agressividade dos animais. "Eles acham que estimulam a potência e a velocidade dos cachorros mas, na verdade, os cães aprendem a procurar um alvo, no caso o pneu, e a fincar os dentes", afirma.Outro motivo, segundo Vieira, é que os cães acabam sendo descartados muito cedo. "Quando chegam aos três anos, eles não têm mais o mesmo desempenho e acabam sendo ''encostados''. Mas aí já aprenderam a atacar e, sem as competições, irão avançar sobre o que ele ver na frente", conta.

WLADIMIR D'ANDRADE, Agencia Estado

06 de outubro de 2007 | 10h56

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