Caos no cérebro é cálculo de probabilidade, diz pesquisador

Pesquisadores da Universidade de Rochester (EUA) podem ter encontrado a resposta para uma das questões mais embaraçosas da neurociência: como é possível que os neurônios, responsáveis pela clareza cristalina do pensamento humano, pareça,m disparar seus sinais ao acaso?Na edição de novembro do periódico Nature Neuroscience, os cientistas apresentam um estudo mostrando que o córtex cerebral usa sinais aparentemente caóticos, ou "ruidosos", para representar as ambigüidades do mundo real - e que esse ruído aumenta dramaticamente o processamento do cérebro, permitindo que os seres humanos tomem decisões em meio á incerteza."Parece loucura, porque os engenheiros estão sempre tentando reduzir o ruído nos circuitos, e no entanto aqui está a melhor máquina de computar do Universo: e ela parece literalmente aleatória", disse o professor de ciências cognitivas e do cérebro de Rochester, Alex Pouget. Pouget afirma que, quando uma pessoa aprece ter tirado uma idéia do nada, o cérebro na verdade acaba de resolver diversos cálculos de probabilidade. "Nunca fomos capazes de explicar como o cérebro é capaz de realizar cálculos bayesianos complexos tão depressa", diz ele, referindo-se ao tipo de cálculo de probabilidade preconizado pelo britânico Thomas Bayes (1702-1761), e que levava em conta situações condicionais, respondendo a questões do tipo, qual a chance de um determinado evento ocorrer, se sabemos que um outro evento, relacionado, já ocorreu?A computação do tipo bayesiano pode ser feita de forma eficientequando os dados seguem um padrão conhecido como distribuição de Poisson, por conta de outro matemático, Siméon-Denis Poisson (1781-1840). Segundo Pouget, o aparente ruído no cérebro se parece muito com essa distribuição.O trabalho publicado na Nature Neuroscience mostra que o ruído, de fato, se encaixa muito bem nessa distribuição. "O córtex parece preparado, nas suas bases, para rodar computações bayesianas da forma mais eficiente possível", diz o pesquisador. Em seu artigo, ele argumenta que o cérebro representa as incertezas do mundo dessa forma, e que o aparente ruído é uma forma econômica de fazer os cálculos.

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