Capacidade instalada recua, mas CNI vê início de retomada

A atividade industrial deu sinais de crescimento em junho, mas o nível de ociosidade na produção continua elevado, indicando que os estoques ainda estão altos, informou a Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta terça-feira.

TIAGO PARIZ, Reuters

07 de agosto de 2012 | 13h38

A Utilização da Capacidade Instalada (UCI) no setor registrou ligeira queda em junho, para 80,8 por cento, contra 80,9 por cento por cento em maio, atingindo o menor patamar desde setembro de 2009, conforme dados dessazonalizados.

Em junho do ano passado, a UCI --considerada um indicador de potenciais pressões inflacionárias-- estava em 82,4 por cento.

O recuo da UCI em junho é o único nos quatro indicadores dessazonalizados da CNI. Na comparação com maio, houve crescimentos nos índices de faturamento real (2,9 por cento), horas trabalhadas (1,8 por cento) e emprego (0,3 por cento).

"Esperamos o início da reação com a melhora do quadro macroeconômico e algumas medidas de estímulo", afirmou o gerente-executivo de Política Econômica da CNI, Flavio Castelo Branco.

Ele acrescentou, no entanto, que para verificar se a reação da indústria é duradoura, é preciso saber se o estoque da indústria está baixando e, consequentemente, abrindo caminho à retomada da produção. "Precisamos de um pouco mais de tempo para saber se os estoques se ajustaram para as empresas voltarem a produzir", disse o gerente-executivo.

O resultado de junho é a quinta queda consecutiva na UCI e, segundo o economista da CNI, Marcelo Dávila, indiretamente é reflexo de queda nas horas trabalhadas na linha de produção e estoques altos.

Isso significa que a indústria ainda não entendia que os estoques precisam ser repostos, com isso reativar a linha de produção, aumentando a hora trabalhada pelos funcionários.

Apesar disso, as medidas de estímulo e a percepção de que a economia vai melhorar a partir deste semestre, deixa os empresários se preparando para a retomada.

Em junho, a produção industrial subiu 0,2 por cento frente a maio, registrando a primeira alta mensal depois de três quedas consecutivas. O número, no entanto, veio abaixo das expectativas, o que levou os especialistas a reduzirem suas projeções para o crescimento da economia como um todo neste ano.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, classificou o resultado como o ponto da virada do setor, dizendo que o desempenho será melhor daqui para frente.

O governo tem lançado mão de uma série de medidas para tentar reativar a indústria. Reduziu impostos para alguns setores da economia, como o automobilístico, e ampliou programa de compras governamentais. O Banco Central também ajuda nesta tarefa, com a política de flexibilização da política monetária, que já resultou em uma Selic na mínima histórica, a 8 por cento ao ano.

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