Capacidade social distingue bebês de chimpanzés, diz estudo

No novo trabalho, cientistas submeteram 106 chimpanzés, 32 orangotangos e 105 bebês a cinco horas de testes

Associated Press,

06 de setembro de 2007 | 18h11

Bebês podem se comportar como macaquinhos, mas pesquisadores que compararam as espécies concluíram que uma criança de dois anos tem mais habilidades sociais e de aprendizado.   Em um teste, crianças que queriam retirar um brinquedo de um tubo copiaram os movimentos feitos pelos cientistas para ocultar o prêmio. Já chimpanzés preferiram uma abordagem menos sutil: morder e quebrar a embalagem.   No que diz respeito à matemática, porém, os macacos aprecem mais bem informados que os bebês, "somando" o número de uvas passas escondidas no laboratório.   No novo estudo, cientistas submeteram 106 chimpanzés, 32 orangotangos e 105 bebês a cinco horas de testes, ao longo de vários dias. Pesquisadores estão tentando determinar quais habilidades inatas são exclusivamente humanas.   "Crianças humanas, no geral, não são mais inteligentes que outros primatas, mas em vez disso têm perícias especializadas de cognição social", diz a principal autora do trabalho, Esther Herrmann, do instituto Max Planck de Antropologia Evolucionária. "Elas aprendem de um modo que os chimpanzés não são capazes".   Mas essas descobertas, publicadas na edição desta sexta-feira, 7, da revista Science, chocam-se com outras pesquisas que sugerem que os grandes macacos, os parentes mais próximos da humanidade, também são muito bons em aprendizado social.   De fato, um segundo estudo na mesma publicação sugere que chimpanzés e outros macacos têm uma certa capacidade de inferir as intenções de terceiros. Este é um tipo de pensamento complexo, e semelhante ao humano.   Nesse trabalho, os animais buscaram alimentos dentro de embalagens que um pesquisador tivesse agarrado, mas não apenas tocado, ou em embalagens que o cientista tivesse tocado com os cotovelos enquanto estava com as mãos cheias.   Os macacos esperavam que as pessoas agissem racionalmente a ajustavam seu comportamento de acordo, diz o principal autor do trabalho, Justin Wood, da Universidade Harvard.   O primatologista Frans de Waal  elogiou o trabalho de Wood, mas criticou o estudo de Hermann: ele lembrou que os bebês humanos só precisavam imitar um outro ser humano, enquanto que os macacos testados tinham de seguir os movimentos de um desconhecido de outra espécie.

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