Capital de risco recua nos EUA

Investimento em estreantes do setor de tecnologia caiu 37%

Claire Cain Miller, O Estadao de S.Paulo

26 de janeiro de 2010 | 00h00

THE NEW YORK TIMES

No ano passado, os investidores de capital de risco, cujo dinheiro impulsiona as novas empresas de tecnologia nos EUA, reduziram seus investimentos ao mínimo já observado desde 1997, segundo levantamento da PricewaterhouseCoopers e da Associação Nacional de Capital de Risco divulgado na sexta-feira.

Para muita gente do setor, essa redução é saudável. "Havia dinheiro demais no sistema", disse Jeff Fagnan, sócio da empresa de investimentos Atlas Venture. "Seria mais saudável se pudéssemos voltar ao ritmo e tipo de negócios como nos anos 90." E isso inclui patrocinar mais empreendedores iniciantes na atividade e ideias saindo das universidades, disse ele.

Em 2009, os investidores de capital de risco aplicaram US$ 17,7 bilhões em 2.795 empresas nascentes ? queda de 37% nos recursos e 30% nos negócios em relação a 2008.

As empresas de internet, que entusiasmaram os investidores por mais de uma década, foram fortemente atingidas, com os investimentos nessas companhias caindo 39%. Apenas uma empresa de internet, o Twitter, entrou na lista dos 10 maiores acordos de investimento de capital de risco em 2009, conseguindo levantar US$ 100 milhões.

Embora alguns dos maiores negócios tenham envolvido empresas de tecnologia limpa, como a Solyndra, fabricante de painéis solares, e a Silver Spring Networks, que vende tecnologia para poupar energia para concessionárias elétricas, o investimento total na área da energia limpa despencou 72%.

Os investidores de capital de risco estavam virtualmente imobilizados no ano passado. O financiamento de empresas recém-abertas levantando recursos pela primeira vez caiu para os níveis mais baixos desde 1995. Nos últimos três meses do ano, contudo, o investimento em empresas nascentes aumentou ligeiramente, dando alguma esperança aos novos empreendedores.

Bryan Arp, cofundador da empresa Netpulse, que fabrica telas de vídeo para equipamentos de ginástica, tentava levantar recursos pouco antes de o Lehman Brothers falir, em 2008. "Uma sombra pairava sobre o vale", disse ele. "Não tinha nenhum maneira. Se você não dá lucro, está fora."

Ele tentou novamente em 2009, conseguindo um investimento de US$ 3,1 milhões, em 29 de outubro, da Javelin Venture Partners e da DFJ Frontier.

Mark Heesen, presidente da associação de capital de risco, atribuiu a recuperação do quarto trimestre à melhora da economia. Mas outros dizem que o capital de risco ainda enfrenta problemas difíceis. "O setor de capital de risco se perdeu um pouco e precisa se reinventar", diz Roger McNamee, um dos fundadores da Elevation Partners, empresa de investimento de tecnologia. Em dez anos, os lucros do setor caíram de 36% em 2000 para 14%, de acordo com a Cambridge Associates, assessoria de investimentos. No ano passado, houve apenas 13 ofertas públicas iniciais.

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