Caqui: ameaça às exportações

Não há agrotóxicos registrados para uso na fruta e produtores podem ser impedidos de vender para o mercado externo

Fernanda Yoneya, O Estado de S.Paulo

21 de maio de 2008 | 03h44

A falta de produtos registrados preocupa produtores de caqui, principalmente os que exportam a fruta. ''Não há produtos registrados para a cultura e não se sabe até quando os produtores poderão continuar exportando'', diz o diretor-técnico da Associação Paulista dos Produtores de Caqui (APPC), Paulo Shigueru Toyoda.A associação reúne 65 fruticultores de Piedade, Apiaí, Itapeva, Ibiúna, São Miguel Arcanjo, Guapiara, Pilar do Sul e Mogi das Cruzes, que cultivam 500 hectares de caqui e produzem 1,5 milhão de quilos. Deste total, 20% são exportados para a Europa e para o Canadá.Para Toyoda, uma solução interessante para a questão seria o agrupamento dessas culturas ''desamparadas'' por famílias, com produtos que já possuem agrotóxicos registrados. ''O caqui, por exemplo, entraria na família da uva, que tem vários produtos eficientes e modernos registrados'', cita. Outra família agruparia frutas de caroço, como nectarina, pêssego e ameixa; morango, framboesa e amora entrariam na família de frutas vermelhas. ''Do jeito que está não pode ficar. O produtor trabalha constantemente ameaçado por causa dessa questão'', avalia o diretor-técnico.SELO DE QUALIDADEToyoda explica que os produtores da APPC possuem o selo de qualidade EurepGap, mas, na próxima renovação do certificado, já pode haver restrição dos importadores, como a Inglaterra, em relação ao uso de agrotóxicos registrados para a cultura. ''Esses mercados exigem produtos modernos, cuja formulação tem baixo impacto ambiental e efeito seletivo.'' Por enquanto, os fruticultores da região fazem um monitoramento rigoroso de análise de resíduos, em laboratórios credenciados.Para Rangel, do Mapa, o principal problema da falta de produtos registrados é a marginalização do produtor de pequenas culturas. ''Sem alternativas legais para o controle de pragas, os produtores encontram-se na ilegalidade e esta situação se reflete nos resultados das análises oficiais de resíduos em alimentos'', avalia. ''O programa tornará viável a produção legalizada, rastreável e segura para as culturas menores.''''Como o caqui, culturas como caju, mandioca, gengibre, kiwi, macadâmia, hortaliças e muitas outras estão tendo prejuízos. Se o Mapa assumir parte das despesas de registro, o interesse das empresas aumentará'', acredita o pesquisador Wagner Bettiol, da Embrapa Meio Ambiente. INFORMAÇÕES: Embrapa, tel. (0--19) 3311-2700

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