Caracas diz que levará ''provas'' contra a Colômbia à Unasul

Chanceler venezuelano afirma que Bogotá tem vínculos com paramilitares e os envia à Venezuela

Efe, CARACAS, O Estadao de S.Paulo

25 de novembro de 2009 | 00h00

A Venezuela "apresentará provas de incursões paramilitares e tentativas de desestabilização" por parte da Colômbia na reunião da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), na sexta-feira, em Quito, disse ontem o chanceler venezuelano, Nicolás Maduro, em um comunicado.

O chanceler referiu-se, na nota, à recente captura de Magaly Judith Moreno Vega, suspeita de ser uma paramilitar, na cidade venezuelana de Maracaibo, perto da fronteira com a Colômbia.

"Essa mulher está relacionada com o assassinato de centenas de pessoas; são histórias arrepiantes de extermínio que lembram os nazistas", disse Maduro no comunicado. "Sua captura mostra que o governo da Colômbia está enviando seus chefes paramilitares. Essa mulher está ligada ao ex-promotor colombiano Luis Camilo Osorio, que atualmente é embaixador da Colômbia no México e mão direita de (presidente Álvaro) Uribe."

Segundo Maduro, "o governo colombiano tem vínculos diretos" com os paramilitares. "Dezenas de militares, deputados e governadores próximos dos que governam a Colômbia estão presos por envolver-se com esses movimentos."

"Contaremos com a maior prova: o documento que firmaram o chanceler e o ministro da Defesa colombianos e o embaixador dos EUA (na Colômbia). Essa é a maior prova da entrega do território neogranadino", acrescentou.

Bogotá e Washington firmaram recentemente um acordo militar que permitirá o uso de até sete bases colombianas pelos EUA. O pacto provocou mal-estar em toda a região. O presidente venezuelano, Hugo Chávez, disse que o acordo era uma ameaça a seu país e congelou as relações com a Colômbia. Durante a reunião, Chávez exigirá garantias de que "não serão lançadas ações" contra terceiros países a partir das bases que os EUA usarão na Colômbia.

Maduro também disse que a Venezuela pedirá à Unasul que se trabalhe em "um plano de paz na Colômbia" e para a erradicação da produção de drogas no território colombiano e do narcotráfico no país.

ESTADOS UNIDOS

O porta-voz do setor de Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado americano, Charles Luoma-Overstreet, disse ontem que os EUA estão preocupados com os comentários das autoridades venezuelanas, mas "não têm intenções agressivas" em relação à Venezuela. O porta-voz fez a declaração após ser questionado sobre as queixas de empresários colombianos pelo "silêncio" dos "países amigos" diante da atual crise com a Venezuela.

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