Cardeais discutem situação financeira da Santa Sé e perfil do novo papa

Religião. Apesar da chegada a Roma do último eleitor do conclave que faltava, cardeais ainda devem levar mais tempo debatendo problemas da Igreja e em articulações sobre os melhores nomes para o lugar de Bento XVI antes de convocar eleição para papa

JOSÉ MARIA MAYRINK, ENVIADO ESPECIAL / VATICANO , O Estado de S.Paulo

08 de março de 2013 | 02h05

A 5.ª Congregação-Geral do Colégio Cardinalício dedicou ontem boa parte do tempo à exposição dos três presidentes dos discatérios (departamentos) da Cúria Romana sobre a situação econômica e financeira da Santa Sé, temas fundamentais nessa fase de pré-conclave para os eleitores definirem o perfil do próximo papa. Mais uma vez, não houve definição sobre a data da eleição que vai escolher o sucessor de Bento XVI.

Falaram o cardeal Giuseppe Versaldi, presidente das Prefeitura dos Negócios Econômicos, o cardeal Domenico Calcagno, presidente da Administração do Patrimônio, e Giuseppe Bertello, presidente do Governo da Cidade do Vaticano. Cada um deles fez breve relato sobre sua área.

O conteúdo de suas intervenções ficou entre quatro paredes, mas a situação financeira da Igreja inspira cuidados - além de irregularidades envolvendo o Banco do Vaticano, as contas da Santa Sé deverão sofrer impacto este ano com o fim de isenções fiscais em países europeus e com os gastos com indenizações por abusos sexuais nos Estados Unidos (mais informações nesta página).

Na sessão da manhã, estavam presentes 114 cardeais eleitores, faltando apenas o vietnamita Jean-Baptiste Pham Minh Mân, arcebispo de Ho-Chi Minh, que desembarcou à tarde em Roma. Quando ele se incorporar à Congregação-Geral, a partir de hoje, os cardeais poderão marcar a data para o início do conclave. A presença de todos os 115 cardeais eleitores é uma condição para a convocação do conclave, mas não a única.

"A data do conclave ainda não foi definida", anunciou o porta-voz da Santa Sé, padre Federico Lombardi. Segundo ele, é possível que haja mais uma reunião amanhã, porque não está prevista folga no sábado. "Só no domingo, quando cada cardeal, como todo sacerdote, vai querer celebrar missa. Todos os cardeais têm o título de uma igreja ou de uma basílica em Roma, da qual eles são pelo menos simbolicamente protetores", explicou.

Com isso, dificilmente o conclave se reuniria a partir de segunda-feira. Isso porque os cardeais estão tratando de dissecar os pontos-chave da situação da Igreja e de examinar bem qual seria o perfil ideal do novo papa, antes de se fecharem na Capela Sistina para a eleição.

O homem ideal, a julgar pelo que os cardeais disseram antes de serem silenciados nas reuniões preliminares, deve ser mais pastor, um papa próximo do povo, do que administrador.

Lombardi não quis comentar novas denúncias trazidas ontem pelo jornal italiano La Reppublica sobre o vazamento de documentos secretos da Santa Sé (mais informações na página A15).

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