Cardeal defende Papa e denuncia 'intrigas'

Um cardeal, fazendo um discurso inusitado em defesa do Papa Bento 16 na missa do domingo de Páscoa, afirmou que a Igreja Católica não será intimidada por "fofocas" de abuso sexual de crianças por sacerdotes.

PHILI, REUTERS

04 de abril de 2010 | 10h38

Mas em seu próprio discurso horas depois, o Papa, procurando por um clima mais amistoso, não mencionou o escândalo que tomou a Igreja Católica e que gerou uma crise em seu pontificado de cinco anos.

O discurso surpresa do cardeal Angelo Sodano foi o primeiro na memória recente em um ritual papal na missa do domingo de Páscoa a ter sido alterado para anteriormente ao do Papa.

"Santo Pai, o povo de Deus está com você e você não os deixará serem influenciados pelas intrigas do momento, pelos julgamentos que algumas vezes assolam a comunidade dos fiéis", disse Sodano.

A mudança de protocolo destacou o quanto o Vaticano sente a pressão de um crescente escândalo envolvendo abuso sexual de crianças por sacerdotes e relatos de um possível acobertamento que cerceou o próprio Papa.

Posteriormente, o Papa não mencionou o escândalo em seu discurso semestral "Urbi et Orbi" (para a cidade e o mundo), que tratou de uma série de problemas mundiais.

Sodano, um ex-secretário de Estado, foi elogiado por Bento 16 como um "rocha sólida" que apóia a Igreja Católica.

"A Igreja está com você!", disse Sodano ao Papa e a milhares de pessoas segurando guarda-chuvas na praça de São Pedro.

Seu discurso de solidariedade listou aqueles que estão do lado do Papa, particularmente os "400 mil sacerdotes que generosamente servem" em escolas, hospitais e missões pelo mundo. Essa foi uma clara tentativa de destacar a posição do Vaticano de que somente uma pequena minoria de sacerdotes abusou de crianças.

VÍTIMAS

"As vítimas estão buscando consolo e recuperação e não deveriam ser insultadas e ouvir que nossas palavras são intrigas", disse Barbara Blaine, líder da rede norte-americana Survivors Network of those Abused by Priests (SNAP).

"O Papa disse que a verdade deve ser exposta. Eles não podem fazer as duas coisas", disse ela à Reuters.

Abalado pela crise, o Vaticano diversas vezes acusou a mídia de tentar denegrir o Papa. Alguns relatos o acusam de negligência para lidar com casos de abusos sexual em posições anteriores como cardeal em sua terra natal, a Alemanha, e em Roma.

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