André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Cardozo admite que agenda papal passa por adaptações

Ministérios da Justiça e da Defesa são responsáveis pela segurança pessoal do papa e da Jornada Mundial da Juventude

Marcelo Gomes, Agência Estado

17 de julho de 2013 | 21h05

A cinco dias da chegada do papa Francisco ao Rio de Janeiro para a Jornada Mundial da Juventude, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, admitiu nesta quarta-feira que a agenda do pontífice ainda passa "por adaptações", mas não especificou quais. Cardozo e seu colega da Defesa, Celso Amorim, participaram ontem de duas reuniões no Rio com o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, além de representantes da Gendarmaria (polícia do Vaticano), e da Prefeitura. Os ministérios da Justiça e da Defesa são os responsáveis pela segurança pessoal do papa e do evento.

"Tudo o que diz respeito a presença do papa foi discutido, e nós estamos fazendo as adaptações, ouvindo sugestões do Vaticano, e eles ouvindo as nossas. Justamente para que possamos ter um plano de segurança exitoso", disse Cardozo, após sair da segunda reunião do dia, que durou pouco mais de uma hora, e foi realizada no Palácio Guanabara, sede do governo do Estado em Laranjeiras, na zona sul. O governador Sérgio Cabral (PMDB) não estava presente. Ele foi representado pelo secretário da Casa Civil, Regis Fichtner. A primeira reunião do dia, que durou cerca de duas horas, ocorreu na sede da Secretaria de Segurança, no centro.

Um dos temas discutidos foi a possibilidade da mudança do local da solenidade de boas-vindas ao pontífice, inicialmente prevista para ocorrer no Palácio Guanabara, na tarde de segunda-feira. Francisco se encontrará no local com a presidente Dilma Rousseff (PT). A sede do governo foi palco de um violento confronto entre manifestantes e policiais na semana passada. Foram usadas pedras e rojões, pelos ativistas, e tiros de borracha e bombas de gás, pelos PMs. Vizinhos reclamaram do tumulto e da Polícia.

Entretanto, Cabral, o Comitê Organizador Local da Jornada e o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, negaram ontem que a cerimônia será transferida para a Base Aérea do Galeão, na zona norte.

Cardozo, no entanto, disse que ainda haverá outras reuniões para fechar o roteiro completo e o esquema de segurança do pontífice. Segundo ele, outra preocupação é com o fato de que Francisco decidiu circular num papamóvel aberto - e não num blindado, como ocorria desde 1981. "Há uma posição do papa que os carros sejam sem blindagem. Nós, claro, estamos avaliando essa situação e dialogando com o Vaticano, para que possamos ter um plano de segurança que minimize situações de risco".

Pela manhã, após participar da inauguração da Casa do Trabalhador em Manguinhos, na zona norte da capital, Cabral disse desconhecer mudanças na agenda do papa por conta das manifestações programadas para ocorrer durante a visita. Uma das demonstrações está sendo convocada, via Facebook, para a porta do Palácio Guanabara.

"Que eu saiba, está tudo preparado para o Rio de Janeiro dar as boas-vindas ao papa Francisco, acho que é um momento muito especial. Esse grande calendário de eventos ter a presença do papa Francisco na sua primeira viagem internacional é um privilégio para nós, brasileiros. Tenho certeza que o Brasil e, em especial o Rio de Janeiro, darão sua demonstração de afeto, de respeito, independente inclusive da religião. Independente de qualquer tipo de visão religiosa, certamente será um momento muito especial para o Rio de Janeiro e para o Brasil". Em nota, o Comitê Organizador Local da Jornada informou que "até o momento a agenda do Papa continua a mesma". (Colaborou Wilson Tosta)

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