Cardozo diz que já iniciou ações com Alckmin

Os governos federal e de São Paulo já realizam operações conjuntas contra a onda de violência que atinge o Estado e começaram a montagem do cerco aos principais pontos nevrálgicos de atuação do crime organizado por via aérea, marítima e terrestre, segundo informou o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. "Eu confio que essa soma de esforços, mais o policiamento de ruas que vem sendo feito pela polícia de São Paulo, logo darão resultados", afirmou.

VANNILDO MENDES, Agência Estado

09 de novembro de 2012 | 20h05

O ministro disse que aguarda a lista de líderes criminosos presos que precisam ser transferidos, para providenciar a imediata remoção para os presídios federais de segurança máxima. Até agora, apenas um foi removido para a penitenciária federal de Porto Velho. "Caso São Paulo queira, colaboramos inclusive com análise de inteligência sobre que presos devem ser transferidos", ofereceu Cardozo, indicando que a Polícia Federal tem levantamentos que podem auxiliar nessa triagem. "Mas essa é uma decisão que cabe ao governo paulista", ressalvou.

Ele informou que têm conversado por telefone regularmente com o governador Geraldo Alckmin e confirmou que os dois estarão juntos na segunda-feira na primeira reunião da agência que integrará as ações policiais da duas esferas no combate à criminalidade, no Palácio dos Bandeirantes. "O governo federal esteve, está e estará à disposição do governo de São Paulo para enfrentar essa situação, no limite das suas possibilidades, obviamente respeitando a autonomia do Estado", observou ele, indicando que a troca de hostilidades entre os dois está superada.

Em conversa com jornalistas, Cardozo detalhou como será a ajuda federal para o governo paulista debelar a onda de violência: "Vamos focar com prioridade nas organizações criminosas que estão gerando essa situação; asfixiando-as financeiramente; prendendo seus membros, estejam em São Paulo ou em outros Estados; impedindo que drogas e armas cheguem ao Estado e reforçando um anel protetor em torno da capital", explicou. "Esse é o nosso papel. A parte do policiamento específico e o enfrentamento das situações nas ruas cabe à segurança pública paulista", completou.

Segundo ele, a ajuda federal consistirá sobretudo em operações de inteligência, focadas no PCC e outras organizações criminosas. "Com efetivo não tenho como contribuir, pois São Paulo tem efetivo suficiente e com qualidade para enfrentar as situações que vem enfrentando", observou. Mas o papel federal, a seu ver, também será importante. "Não é uma situação simples, pois temos que asfixiar as organizações criminosas que lá estão atuando, centrar fogo nelas, enfraquecê-las e transferir seus líderes para presídios federais, para que parem de comandar ações de dentro dos presídios estaduais".

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