Cardozo e PF dizem que não havia motivo para grampear Rosemary

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e o superintendente da Polícia Federal em São Paulo, Roberto Troncon, disseram nesta terça-feira que não havia motivos para pedir a quebra do sigilo telefônico da ex-chefe de gabinete do escritório da Presidência da República em São Paulo Rosemary Noronha, no âmbito da operação Porto Seguro.

Reuters

04 Dezembro 2012 | 13h42

Cardozo e Troncon foram questionados por parlamentares da Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados, que indagaram se Rosemary não foi grampeada pela PF por conta de suas relações próximas com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"Por que a senhora que ocupava esse cargo na Presidência da República não teve sua comunicação telefônica interceptada? Porque não havia justa causa. Porque não havia motivação possível para que a autoridade policial o apresentasse", disse Troncon.

Cardozo disse que Rosemary não foi grampeada porque ela não estaria cometendo algum ato ilícito que só pudesse ter comprovado por meio de uma conversa telefônica.

"Não houve a quebra de todos os investigados, houve quebra daqueles que as atividades estavam em curso", disse o ministro afirmando que foi essa explicação que recebeu da PF.

Ele ainda tentou minimizar o alcance do caso na Presidência da República.

"Essas pessoas que são utilizadas nas informações (pedidas pela quadrilha) não integram a cúpula (da organização), não posso afirmar que a acusação chegou à conclusão que há uma quadrilha no seio da Presidência da República, não é o resultado da investigação. Claro que no discurso político, é natural que as versões sejam colocadas", disse Cardozo em resposta aos questionamentos dos parlamentares.

A operação Porto Seguro cumpriu mandados de busca e apreensão em órgãos do governo federal e no escritório da Presidência da República em São Paulo e deteve três pessoas.

Também foram indiciadas 18 pessoas, entre elas Rosemary Noronha, e o advogado-geral adjunto da União, José Weber de Holanda Alves, acusados de envolvimento com um grupo que obteria pareceres técnicos fraudulentos que eram vendidos a empresas interessadas. Os dois foram exonerados dos seus cargos.

Outros órgãos que sofreram buscas foram o Ministério da Educação, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a Agência Nacional de Águas (ANA), a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos.

(Reportagem de Jeferson Ribeiro)

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