Carga de energia no país no semestre cresce menos que o PIB--ONS

A carga de energia no Brasil cresceu 2,7 por cento no primeiro semestre de 2008, em relação ao mesmo período de 2007, para 51.721 megawatts médios, informou o Operador Nacional do Sistema (ONS) nesta sexta-feira. O crescimento percentual da geração no Sistema Interligado Nacional (SIN) ficou abaixo do forte aumento do Produto Interno Bruto (PIB) do país, de 6 por cento no mesmo período, devido a mudanças no comportamento do consumidor e ao alto preço da energia no mercado de curto prazo -- que reduziu a demanda de indústrias eletrointensivas --, além de alterações no parque industrial. "Na indústria, a modernização do parque produtivo através de investimento em máquinas e equipamentos tem proporcionado um uso mais racional e eficiente de energia elétrica", afirmou o ONS em nota. De acordo com o operador, outro fator que causou uma geração menor relativamente ao PIB foi o alto custo da energia no mercado de curto prazo. "Enquadram-se nessa situação algumas indústrias eletrointensivas que acabaram por reduzir a produção, implicando em menor demanda por energia elétrica." Ainda segundo o ONS, o consumo industrial de energia de alguns setores também foi influenciado pela greve dos auditores da Receita Federal, entre os meses de março e maio, "que afetou o fluxo de matérias primas importadas para a produção". No consumo residencial, verifica-se o efeito da mesma eficiência dos equipamentos registrada na área industrial. "Verifica-se uma conscientização maior da população que tem sido corroborada pela compra de bens de consumo duráveis de maior eficiência energética, com destaque para aqueles certificados com o "Selo PROCEL", afirmou o ONS, destacando ainda que o peso do custo de energia no orçamento das famílias tem contribuído para redução do consumo de energia. SUDESTE/CENTRO-OESTE PUXA CARGA Segundo o ONS, o crescimento na carga brasileira no semestre foi influenciado pelo subsistema Sudeste/Centro-Oeste, com participação de 60 por cento na carga do SIN, cujo crescimento no semestre foi de 2,1 por cento. Mas o maior aumento percentual na carga ocorreu na região Norte, de 3,9 por cento, para 3.616 megawatts médios. No Nordeste, a carga aumentou 3,6 por cento, para 7.459 megawatts médios, enquanto no Sul ela subiu 3,5 por cento, para 8.742 megawatts médios. (Reportagem de Roberto Samora)

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