Cariocas lotam eventos na zonal sul

Multidão faz fila para visitar Forte de Copacabana e atrações do Aterro do Flamengo; na zona oeste, Parque dos Atletas fica às moscas

ROBERTA PENNAFORT, TIAGO ROGERO / RIO , O Estado de S.Paulo

18 de junho de 2012 | 03h04

O domingo de sol ameno mostrou os dois lados da Rio+20 até agora. Enquanto na zona sul cariocas e turistas lotavam locais de exposições e de debates no Forte de Copacabana e no Aterro do Flamengo, o Parque dos Atletas - situado em frente do Riocentro, na zona oeste, com 135 mil m2 de área - permanecia às moscas, consolidando-se como o maior fracasso de público da Rio+20.

No Forte de Copacabana era preciso aguardar em pé por duas horas, em média, para se chegar à primeira sala da exposição da Humanidade 2012. A mostra é um sucesso desde a abertura, terça-feira passada: 110 mil visitantes haviam sido contabilizados até sábado, o dia mais movimentado. Foram 45 mil, volume quase cinco vezes superior ao registro diário da exposição de arte mais visitada do Rio ano passado, do holandês M. C. Escher.

Até as palestras, realizadas no auditório com 500 lugares, têm ficado lotadas, independentemente dos palestrantes e dos temas. No início da tarde, a impaciência era geral do lado de fora do Forte, com muita gente reclamando de falta de informação precisa sobre o tempo de espera. Na saída, porém, o veredito positivo era unânime. "Valeu a pena esperar. Ocasião assim só acontece de 20 em 20 anos, quis fazer parte", contava Kezia Werling, estudante de 16 anos do interior do Estado.

No Aterro do Flamengo, ontem também foi o dia mais movimentado - o público foi de 35 mil pessoas. Visitantes pediam para tirar fotos com indígenas e artistas de rua que circulavam entre as tendas da Cúpula dos Povos. Ao longo da ciclovia, pequenos grupos iam se formando para assistir apresentações espontâneas de maracatu, danças indígenas e declamações de poesia. Num recanto sossegado passada a aglomeração da Cúpula, próximo ao Aeroporto Santos Dumont, moradores chegavam com garrafas, sacolas e recipientes de plástico para ajudar a compor uma imagem da Baía de Guanabara idealizada por Vik Muniz, que foi convocado pelo Ministério do Meio Ambiente. "É uma honra participar de uma obra coletiva como essa", dizia a professora aposentada Jussara Costa, vizinha do parque.

Fiasco. Enquanto isso, o tédio imperava no Parque dos Atletas, aberto para a Rio+20 na quarta-feira pela presidente Dilma Rousseff. Até ontem, cerca de 30 mil pessoas, segundo o Itamaraty, passaram pelas roletas. O que não quer dizer que este foi o total de visitantes, já que o número inclui também todos os expositores e trabalhadores do parque, além dos participantes e credenciados da Rio+20.

Ainda assim, a média diária foi de 6 mil pessoas - a expectativa era de até 10 mil diariamente. Mesmo no fim de semana, o volume não aumentou muito - os 5,3 mil por dia, entre quarta e sexta, passaram para 7 mil.

Na próxima quarta-feira, com o início da reunião de cúpula dos chefes de Estado, no Riocentro, que fica logo em frente, o parque será fechado ao público.

Os comerciantes das poucas lanchonetes e restaurantes já calculam o prejuízo. "Não foi aquilo que esperávamos", disse Gilberto Gonçalves, supervisor de umas das pizzarias montadas no local.

O parque conta com duas praças de alimentação e quatro quiosques todos com preços bem salgados. Um dos motivos para a ausência de público é a localização. Mesmo para quem mora na Barra da Tijuca, não é muito perto. A vendedora Rosane Peçanha, moradora de Cascadura, na zona norte do Rio, leva todo dia mais de duas horas para chegar, de ônibus.

O esvaziamento do parque, no entanto, tem um lado positivo. As palestras não ficam tão cheias e é possível conhecer com calma os estandes e as novidades tecnológicas, como o ônibus movido a hidrogênio da Universidade Federal do Rio, que pode ser visto circulando pelo parque.

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